PIB dos EUA cai 3,8% no 4º trimestre, maior queda desde 1982

Empresários e consumidores norte-americanos cortam gastos em meio à crise e recessão se aprofunda no país

Reuters,

30 de janeiro de 2009 | 11h44

A economia dos Estados Unidos encolheu no ritmo mais acentuado em aproximadamente 27 anos no quarto trimestre, mostraram dados do governo, aprofundando-se ainda mais na recessão, à medida que consumidores e empresários cortaram os gastos.     Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    O Departamento de Comércio informou nesta sexta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção total de bens e serviços dos Estados Unidos, recuou 3,8%, em termos anuais, a maior queda desde o primeiro trimestre de 1982, quando contraiu 6,4%. No terceiro trimestre de 2008, o PIB dos Estados Unidos contraiu 0,5%.   Esses foram os primeiros declínios trimestrais consecutivos do PIB desde o quarto trimestre de 1990 e os três primeiros meses de 1991. Analistas consultados pela Reuters previam uma contração do PIB de 5,4% no quarto trimestre.   A economia dos Estados Unidos entrou em recessão em dezembro de 2007, após o colapso do mercado imobiliário, que resultou na crise de crédito global. Em 2008, o PIB subiu 1,3%, no menor ritmo de crescimento desde 2001, quando a economia expandiu 0,8%.   O relatório do Departamento de Comércio com a primeira leitura do PIB dos EUA no quatro trimestre de 2008 mostrou que o consumo, que corresponde a dois terços da atividade econômica dos EUA, caiu 3,5% no período, ante declínio de 3,8% no terceiro trimestre. Essas também são as primeiras quedas seguidas do consumo, desde os declínios no quatro trimestre de 1990 e no primeiro de 1991.   Os gastos com bens duráveis, como carros e móveis, tombaram 22,4%, a queda mais acentuada desde o primeiro trimestre de 1987. Em resposta à redução da demanda, os investimentos empresariais afundaram 19,1%, o recuo mais acentuado desde o primeiro trimestre de 1975. Os investimentos residenciais despencaram 23,6%.   Inflação   O forte declínio econômico está reduzindo as pressões inflacionárias, com o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) despencando 5,5%, um recorde, após ter avançado 5% no terceiro trimestre.   O núcleo do índice, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,6%, menor taxa desde o quarto trimestre de 1962. No terceiro trimestre, o núcleo do índice havia subido 2,4%. Analistas consultados pela Reuters previam uma queda de 5,4% do índice PCE.

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