PIB dos EUA caiu 6,2% no 4º tri de 2008

Revisão dos dados mostra a maior queda da economia em 26 anos e indica que a recessão será mais longa

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS E NYT, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

A recessão nos Estados Unidos foi bem mais profunda no fim de 2008 que a estimada pelo governo e por analistas. No quarto trimestre do ano passado, a economia americana encolheu 6,2% e passou pelo período mais sombrio desde o primeiro trimestre de 1982, quando a retração foi de 6,4%. Os dados revisados do Produto Interno Bruto (PIB) americano foram divulgados ontem pelo Departamento do Comércio e contrariaram a estimativa original do próprio governo, divulgada há um mês, de queda de 3,8%. Os números surpreenderam também as expectativas dos analistas que previam retração de 5,4%."Que relatório medonho", disse John Ryding, economista chefe do RDQ Economics. "É quase certo que essa será a mais longa recessão pós-guerra e, agora, potencialmente, a mais profunda." Com a revisão do governo, os economistas esperam uma queda similar no primeiro trimestre de 2009.A forte redução do gasto dos consumidores e da atividade das empresas que se ajustaram à queda da demanda puxaram para baixo os números da economia, segundo a revisão do governo. O recuo dos gastos dos consumidores nos EUA, que respondem por cerca de 70% da atividade econômica do país, foi ampliado para 4,3% no período. A estimativa anterior era de queda de 3,5%. Somente esse item fez o PIB americano encolher 3,01 pontos porcentuais. Os gastos das empresas também foram revisados para baixo. A queda antes estimada em 19,1% passou para 21,1%. Os dados mostraram ainda que os estoques das empresas encolheram US$ 19,9 bilhões no quarto trimestre do ano passado e não subiram US$ 6,2 bilhões como o Departamento do Comércio havia estimado originalmente. Os estoques no terceiro trimestre de 2008 já haviam caído US$ 29,6 bilhões.O gasto do governo federal, ao contrário, foi revisado para cima. Em vez do aumento de 5,8% anunciado originalmente, houve alta de 6,7%. Já o gasto dos governos locais e estaduais diminuiu 1,4%. A queda das importações pelos EUA foi ampliada de 15,7% para 16%, enquanto a diminuição das exportações passou de 19,7% para 23,6%. O comércio reduziu o PIB americano em 0,46 ponto porcentual no período entre outubro e dezembro do ano passado. Originalmente, o Departamento de Comércio americano havia informado que o comércio havia contribuído com 0,09 ponto porcentual. As compras de bens duráveis despencaram 22,1% no período. Os gastos com bens não duráveis recuaram 9,2%, mas os gastos com serviços aumentaram 1,4%. ESTIMATIVASO agravamento do nível de consumo pode levar a mudanças nas estimativas do desempenho da economia no primeiro trimestre de 2009. Um número expressivo de instituições em Nova York, que prevê queda de 5% do PIB no período, pode rever os números quando novos dados de varejo e bens duráveis forem divulgados. O Nomura Securities, por exemplo, que prevê declínio de 5,2% do PIB americano no primeiro trimestre, já reconhece que pode ter de rever a queda projetada. O nível do índice da Universidade de Michigan sobre o sentimento do consumidor neste ano, fornecem pistas de que as perdas com consumo podem continuar se intensificando nos primeiros meses de 2009. O índice ficou em 56,3 pontos em fevereiro, em comparação com 61,2 no mês anterior.

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