Diane Bondareff/ AP Images
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PIB dos EUA cresce 1,6% no segundo trimestre e volta ao nível pré-pandemia

Recuperação foi alimentada pelo aumento nos gastos do consumidor e no investimento das empresas

The New York Times , O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2021 | 11h07

O avanço da vacinação contra a covid-19 e a ajuda federal ajudaram a tirar a economia dos Estados Unidos da crise causada pela pandemia. O próximo teste será se esse ímpeto pode continuar à medida que os casos de coronavírus aumentam, as máscaras voltam e a ajuda do governo diminui.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 1,6% no segundo trimestre do ano, informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira, 29, ante 1,5% nos primeiros três meses de 2021. Em uma base anualizada, o crescimento do segundo trimestre foi de 6,5%.

O crescimento, alimentado por fortes gastos do consumidor e robusto investimento das empresas, trouxe a produção, ajustada pela inflação, de volta ao seu nível pré-pandemia. Essa é uma conquista notável, exatamente um ano após a pior contração trimestral registrada da economia. Depois que a última recessão terminou, em 2009, o PIB levou dois anos para se recuperar totalmente.

Mas os números do segundo trimestre ficaram aquém das previsões dos economistas e a recuperação está longe de ser concluída. A produção está significativamente abaixo de onde estaria se o crescimento continuasse em sua trajetória pré-pandemia. Outras medidas econômicas permanecem profundamente deprimidas, especialmente para certos grupos: os Estados Unidos ainda têm quase 7 milhões de empregos a menos do que antes da pandemia. A taxa de desemprego dos trabalhadores negros em junho era de 9,2%.

O crescimento poderia ter sido mais forte se não fossem as interrupções na cadeia de suprimentos e desafios trabalhistas que dificultaram para muitas empresas manter suas prateleiras cheias e suas lojas com funcionários. Essas questões, combinadas com o aumento da demanda do consumidor, contribuíram para uma inflação mais rápida no segundo trimestre. Os preços ao consumidor aumentaram 1,6% do primeiro para o segundo trimestre. Sem ajuste pela inflação, a produção econômica cresceu 3,1%.

Agora, uma nova ameaça está surgindo com a variante delta, altamente contagiosa do coronavírus, o que levou a um aumento repentino de casos em grande parte dos Estados Unidos.

Poucos economistas esperam um novo fechamento generalizado das empresas por causa da pandemia. Mas se o avanço do vírus levar a uma cautela renovada entre os consumidores isso pode enfraquecer a recuperação em um momento crucial.

“O motivo que é preocupante é que essa explosão de atividade em torno da reabertura tem impulsionado a economia nos últimos dois meses”, disse Michelle Meyer, chefe de economia dos EUA no Bank of America. “Mesmo uma mudança modesta no comportamento pode aparecer de forma mais significativa desta vez.”

E agora trabalhadores e empresas podem ter que enfrentar a pandemia sem muita ajuda do governo federal. Aproximadamente metade dos Estados cortou o seguro-desemprego nas últimas semanas e os programas devem terminar em setembro. Uma moratória federal de despejo terminará esta semana se o governo Joe Biden não agir para estendê-la. E não há sinal de que o Congresso pretende aprovar uma quarta rodada de cheques diretos às famílias.

Nela Richardson, economista-chefe da ADP, a firma de processamento de folha de pagamento, disse que o segundo trimestre pode representar um ponto alto para a recuperação do Estados Unidos. “Todos os ventos estavam indo em uma direção, que era para impulsionar a economia”, disse ela. “A questão mais interessante é: para onde vamos a partir daqui?”

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