Karen Bleier/AFP
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PIB americano cresce acima da previsão

Avanço anualizado de 2,1% no 2º trimestre, porém, ficou abaixo da meta de 3% de Trump que aproveitou para criticar de novo juros do Fed

Nicholas Shores e Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 10h17
Atualizado 26 de julho de 2019 | 22h34

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos desacelerou menos que o esperado no 2.º trimestre, sustentado por um desempenho ainda forte do consumo das famílias e pelo aumento da contribuição dos gastos do governo. Já os investimentos recuaram de forma expressiva, algo que não surpreendeu.

Apesar do menor crescimento, e o fato de a economia não ter atingido a meta de avanço de 3% do presidente Donald Trump, os sinais ainda mistos da economia americana não apontam para a iminência de uma piora abrupta da atividade, tirando a urgência em promover cortes agressivos da taxa de juros. Ou seja, os dados desta sexta-feira corroboram a visão de uma redução comedida dos juros na próxima semana (0,25 ponto porcentual) e de um ajuste total apenas moderado na política monetária.

O crescimento anualizado foi de 2,1% no 2.º trimestre, após registrar 3,1% no 1.º trimestre. O resultado superou o consenso dos analistas, que contemplava uma expansão de 1,8%.

O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) cresceu à taxa anualizada de 2,3%, uma aceleração significativa em relação à alta observada no primeiro trimestre, que foi revisada de 0,5% para 0,4%. Já o núcleo do PCE, que desconsidera preços de alimentos e energia, subiu 1,8% entre abril e junho, também em ritmo superior ao dos três primeiros meses do ano, revisado de 1,2% para 1,1%.

Por outro lado, os investimentos fixos sofreram a maior queda desde o 4.º trimestre de 2015 (-0,8%), o que trouxe uma contribuição negativa de 0,14 ponto porcentual ao PIB. A abertura apontou redução dos investimentos residenciais (-1,5%) e não residenciais (-0,6%). Ou seja, embora o consumo siga firme, a contração dos investimentos é um sinal de alerta para os próximos trimestres, dado que sugerem uma perspectiva adversa por parte das empresas.

Diante do resultado, o presidente americano Donald Trump aproveitou a ocasião para cutucar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano). “Não é (um resultado) ruim, considerando que temos o peso muito pesado da âncora do Federal Reserve enrolada no pescoço”, afirmou, no Twitter.

Trump é favorável a uma polícia de corte de juros para acelerar ainda mais a economia. Já o Fed vem segurando a política monetária, temeroso de que um salto de expansão descontrole a inflação. 

No mercado, o resultado do PIB o não abalou a expectativa de um corte na taxa de juros de 0,25 ponto porcentual. O NatWest afirma em relatório que os números não devem afetar a decisão do banco central americano. “O Fed sabe que o consumo nos EUA está forte”, comenta esse banco. Mas “os formuladores da política veem risco de baixa por todo o setor de negócios”, o que não foi alterado. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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