PIB dos EUA encolhe 0,3% no 3º tri, a maior queda em sete anos

Economia sofre o efeito do pior nível de gasto do consumidor em 28 anos; mesmo assim, inflação dispara

AE, Agencia Estado

30 de outubro de 2008 | 10h40

A economia dos EUA, enfraquecida pelo pior nível de gasto do consumidor em 28 anos, contraiu 0,3% no terceiro trimestre em comparação com o segundo trimestre - em base sazonalmente ajustada -, segundo primeira prévia anunciada pelo Departamento do Comércio. Este foi o dado mais fraco desde o declínio de 1,4% registrado no terceiro trimestre de 2001. A previsão de consenso dos analistas entrevistados pela Dow Jones era de uma queda maior, de 0,5%.  Veja também:Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundoVeja os primeiros indicadores da crise financeira no BrasilLições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise   O maior componente do PIB dos EUA é o gasto do consumidor, que responde por 70% do indicador. No terceiro trimestre, o gasto do consumidor caiu 3,1%, de uma expansão de 1,2% registrada no segundo trimestre. A queda foi a mais acentuada desde o declínio de 8,6% registrada no segundo trimestre de 1980.  As compras de bens duráveis despencaram 14,1% no terceiro trimestre, depois de um declínio de 2,8% registrado no segundo trimestre. Os gastos com bens não duráveis caíram 6,4% no terceiro trimestre, enquanto o consumo de serviços subiu 0,6%.  No geral, o gasto do consumidor tirou 2,25 ponto porcentual do PIB. Esse dado tinha contribuído com 0,87 ponto porcentual do PIB no segundo trimestre.  Outro componente do PIB, a moradia, também deu outra mordida na economia. O investimento residencial fixo caiu 19,1% no terceiro trimestre, reduzindo o PIB geral em 0,72 ponto porcentual. No segundo trimestre, esse investimento havia recuado 13,3%, tirando 0,52 ponto porcentual do PIB. Inflação Apesar do resultado negativo no PIB, as medidas de inflação dispararam. Por exemplo, o índice de preços do gasto com consumo pessoal (PCE) subiram 5,4% no terceiro trimestre - taxa mais alta desde a elevação de 6,0% registrada no primeiro trimestre de 1990 -, depois de um aumento de 4,3% no segundo trimestre. A medida de preço do PCE excluindo os custos de alimentos e energia também acelerou para uma alta de 2,9% no terceiro trimestre, de um ganho de 2,2% no segundo trimestre.   Balança comercial O comércio internacional deu à economia dos EUA um suporte no trimestre anterior, elevando o PIB em 1,13 ponto porcentual, segundo informou o Departamento do Comércio. As exportações dos EUA cresceram 5,9% e as importações caíram 1,9%.  No segundo trimestre, o comércio internacional contribuiu com 2,93 ponto porcentual ao PIB, quando as exportações subiram 12,3% e as importações caíram 7,3%.  Os gastos das empresas encolheram em 1,0%. O investimento em infra-estrutura subiu 7,9%. As despesas com equipamentos e software caíram 5,5%. No geral, os gastos das empresas no segundo trimestre haviam registrado uma alta de 2,5%.  Os estoques caíram no terceiro trimestre. Os estoques de todos os bens caíram em US$ 38,5 bilhões, depois de um declínio de US$ 50,6 bilhões registrado no segundo trimestre. O declínio dos estoques deram uma contribuição positiva de 0,56 ponto porcentual no PIB, de um ganho de 1,50 ponto porcentual no segundo trimestre. Desemprego O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedidos de auxílio-desemprego ficou inalterado na semana que terminou em 25 de outubro, no nível sazonalmente ajustado de 479 mil, informou o Departamento do Trabalho. Economistas consultados pela Dow Jones esperavam em média queda de 3 mil no número de pedidos.  A média de pedidos em quatro semanas, que retira dos dados as oscilações dos números semanais, caiu pela segunda semana consecutiva, em 5 mil, para 475,5 mil.  O número de trabalhadores recorrendo ao benefício há mais de uma semana caiu em 12 mil na semana até 18 de outubro, para 3,715 milhões. A taxa de desemprego entre os trabalhadores com seguro desemprego permaneceu em 2,8%. As informações são da Dow Jones.

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