Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

PIB dos EUA perde fôlego e cresce 2,4% em 2014

Após maior alta em 11 anos, economia americana desacelerou no 4º tri do ano passado e se expandiu 2,2% em taxa anualizada

O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2015 | 11h16

A economia dos Estados Unidos perdeu tração nos meses finais de 2014, retornando ao crescimento moderado que marcou grande parte da recuperação. O Produto Interno Bruto (PIB), a medida mais ampla de bens e serviços produzidos em toda a economia, se expandiu a uma taxa anual de 2,2% no quarto trimestre, afirmou o Departamento de Comércio nesta sexta-feira, 27. O resultado foi mais fraco do que uma estimativa inicial de ganho de 2,6% informado no mês passado. Economistas esperavam um avanço no quarto trimestre de 2,0%.

O dado divulgado refere-se ao cálculo anual de crescimento da economia, conta diferente da feita no Brasil, que anuncia periodicamente o crescimento trimestral em relação ao trimestre anterior. Nos EUA, o crescimento de 2,2% representa um crescimento trimestral de 0,5455%.

Os números mais recentes indicam a perda de ritmo ante a expansão de 5% no terceiro trimestre e de 4,6% no segundo trimestre. Para 2014 como um todo, o PIB cresceu 2,4%, um pouco mais do que a média de crescimento de 2,2% no período de 2010 a 2013. Em comparação, a economia cresceu em média 3,4% ao ano na década de 1990.

O cenário geral no último trimestre do ano foi misto. Os consumidores gastaram no ritmo mais rápido em quatro anos, mas houve desaceleração do investimento empresarial, abrandamento das exportações e queda em gastos do governo.

E muitos economistas esperam que o trimestre atual se mantenha lento. Antes da divulgação dos números desta sexta-feira, 27, o Barclays previa um ritmo de crescimento na casa de 2,1% e a Macroeconomic Advisers acreditava em expansão de 2,3% nos primeiros três meses de 2015.

Mesmo com o crescimento instável, a economia dos EUA tem avançado o suficiente para criar novos empregos e pode estar levando mais pessoas para o mercado de trabalho. A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, disse nesta semana que o crescimento econômico "deve ser forte o suficiente para resultar em um novo declínio gradual na taxa de desemprego".

Isso poderia ajudar a reforçar as tendências amplamente positivas nos gastos dos consumidores, que respondem por cerca de dois terços da produção nos EUA. O relatório mais recente de PIB mostrou que os lares americanos, ajudados por forte criação de emprego e queda dos preços da gasolina, aumentaram gastos em um ritmo de 4,2%, um pouco menor do que o inicialmente reportado de 4,3%. A leitura mais recente é a melhor desde o quarto trimestre de 2010.

O investimento das empresas - que reflete os gastos com software, pesquisa e desenvolvimento, equipamentos e estruturas - cresceu a uma taxa de 4,8%, uma desaceleração a partir do terceiro trimestre, mas significativamente melhor do que o inicialmente reportado de 1,9%.

Os gastos do governo recuaram a um ritmo de 1,8%, refletindo uma forte queda nos gastos de defesa.

As exportações cresceram a uma taxa de 3,2%, abaixo do ritmo de 4,5% do terceiro trimestre, e as importações aumentaram fortemente. A desaceleração das exportações pode refletir um dólar mais forte e problemas na Ásia e na Europa.

O mercado imobiliário se expandiu a uma taxa modesta, mas constante. O investimento residencial aumentou a um ritmo de 3,4% no quarto trimestre, ante o de 3,2% no terceiro.

Os estoques foram um fator significativo na revisão do PIB para baixo no quarto trimestre. O aumento dos estoques de empresas contribuíram menos para o PIB do que inicialmente se pensava nos últimos meses do ano, algo que pode ser sinal de crescimento um pouco melhor no início de 2015.

Excluindo o efeito da estocagem, a demanda subjacente na economia foi modesta. Vendas finais reais de produtos domésticos, uma medida que exclui mudanças de estoques, cresceram a um ritmo de 2,1%, face a taxa do terceiro trimestre de 5,0%. (Com informações da Dow Jones Newswires).

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