AP Photo/J. Scott Applewhite
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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

PIB dos EUA recua 32,9% no 2º trimestre, pior resultado desde a Grande Depressão

A queda teria sido ainda mais severa sem os trilhões de dólares em ajuda governamental a famílias e empresas, como medida de combate ao coronavírus

Ben Casselman, The New York Times

30 de julho de 2020 | 10h18

O impacto da pandemia de coronavírus na economia dos Estados Unidos tornou-se enfaticamente mais claro nesta quinta-feira, 30, com o governo detalhando o mais devastador colapso trimestral na economia já registrado, o que acabou com quase cinco anos de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB), a medida mais ampla de bens e serviços produzidos, caiu 9,5% no segundo trimestre do ano, com os consumidores cortando gastos, as empresas diminuindo os investimentos e o comércio global secando, disse o Departamento de Comércio.

A queda – o equivalente a uma taxa anual de declínio de 32,9% – teria sido ainda mais severa sem os trilhões de dólares em ajuda governamental a famílias e empresas.

De início, o plano funcionou. Mas há evidências crescentes de que a tentativa de congelar a economia e derrotar o vírus não produziu a rápida recuperação que muitos imaginavam. Um aumento nos casos de mortes por coronavírus em todo o país levou a uma retração renovada na atividade econômica. E muito do apoio do governo está prestes a acabar, deixando Washington em um impasse. 

Foi um colapso sem precedentes na velocidade e de tirar o fôlego na gravidade. As únicas comparações possíveis na história americana moderna ocorreram durante a Grande Depressão e a desmobilização após a Segunda Guerra Mundial, ambas ocorridas antes do advento das estatísticas econômicas.

Diferentemente das recessões anteriores, esta foi resultado de uma decisão consciente de suspender a atividade econômica para conter a propagação do novo coronavírus. “Em outro mundo, uma queda acentuada na atividade teria sido apenas um tropeço bom e necessário para combatermos o vírus”, disse Heather Boushey, presidente do Washington Center for Equitable Growth, um think tank progressista. “De onde estamos agora em julho, sabemos que não foi apenas um tropeço de curto prazo.”

Mercado de trabalho

A recuperação parece ter parado no país. Mais de 1,4 milhão de americanos entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, informou nesta quinta o Departamento do Trabalho. Foi a 19.ª semana consecutiva em que a contagem ultrapassou um milhão, um número inédito antes da pandemia. 

Outras 830 mil pessoas solicitaram benefícios no âmbito do programa federal de assistência ao desemprego pandêmico, que apoia freelancers, trabalhadores independentes e outros não cobertos pelos benefícios tradicionais de desemprego.

No total, cerca de 30 milhões de pessoas estão recebendo benefícios de desemprego, um número que diminuiu lentamente à medida que novas demissões – muitas delas com perda permanente de empregos, em oposição às licenças temporárias da primavera – compensam a recontratação gradual. Agora, alguns economistas temem que o relatório mensal de empregos da próxima semana mostre que o total de empregos caiu em julho, após dois meses de fortes ganhos. A lenta recuperação e os sinais de retrocesso estão afetando a confiança do consumidor, que caiu em julho após subir em junho.

“Ainda estamos numa situação desesperadora”, disse Diane Swonk, economista-chefe da empresa de contabilidade Grant Thornton, em Chicago. Observando que os pedidos semanais estavam na faixa de 200 mil antes que a pandemia provocasse paralisações generalizadas em março, ela acrescentou: “É uma coisa inédita em termos de velocidade e magnitude das perdas de empregos”.

Além disso, teme-se que, depois de se recuperar em maio e junho, a economia fique sem força, com muitos Estados revertendo a reabertura das empresas. “Todo mundo quer continuar tapando o sol com a peneira, mas isso está nos cegando para a realidade da situação com que temos de lidar”, disse a economista.

Ao mesmo tempo, o subsídio semanal suplementar de US$ 600 do governo federal está chegando ao fim, um golpe financeiro potencialmente prejudicial para milhões de pessoas. Os republicanos propuseram substituir o suplemento por um pagamento semanal de US $ 200, enquanto os democratas querem estendê-lo integralmente. “Não estamos nem perto de um acordo”, disse Mark Meadows, chefe de gabinete da Casa Branca, na quarta-feira./TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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