PIB é positivo mesmo sem contribuição da agropecuária

Pelo lado da demanda, e de modo condizente com o referido resultado do comércio, o consumo deve liderar o processo de retomada da economia

Silvia Matos e Julio Mereb*, Impresso

02 Setembro 2017 | 05h00

O crescimento de 0,2% na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2017, resultado superior às expectativas do Ibre e do mercado, consolida a percepção de que a gradual retomada da economia brasileira está definitivamente em curso. A diferença entre o resultado divulgado e as nossas projeções foi principalmente explicada pelo desempenho da agropecuária acima do esperado.

Como já havíamos antecipado no Boletim Macro de Agosto de 2017, o PIB, sem o setor agrícola, seria positivo na margem. De fato, excluindo essa atividade, o PIB cresceu 0,2% no trimestre, em virtude do melhor comportamento dos serviços. Dentro desse setor, além do comércio, cuja recuperação já era esperada em razão dos indicadores positivos do varejo, o grupo dos outros serviços, que reúne atividades tipicamente intensivas em mão de obra, também apresentou um desempenho muito superior ao esperado, e na contramão ao que a Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS), também publicada pelo IBGE, indicara.

Pelo lado da demanda, e de modo condizente com o referido resultado do comércio, o consumo deve liderar o processo de retomada da economia. Além do impulso pontual proporcionado pelos recursos do FGTS, que em algum momento irá se exaurir, a melhora das perspectivas de crédito para pessoas físicas, a redução do endividamento das famílias e o aumento do poder de compra decorrente da baixíssima inflação de alimentos também vêm sustentando a retomada do consumo. Os sinais ainda preocupantes, no entanto, vêm das despesas com investimento, que contraíram 0,7% do primeiro para o segundo trimestre.

Para o terceiro trimestre, os indicadores de atividade econômica sugerem continuidade da recuperação gradual da economia brasileira. Nossa projeção, em particular, conta com um crescimento modesto, de 0,1%. Porém, excluindo agro, o crescimento projetado é ainda mais expressivo, de 0,9%. O investimento, no entanto, deve retrair-se mais uma vez no próximo trimestre.

Com esse cenário delineado, nossa expectativa é que a economia brasileira cresça 0,7% em 2017 e 2,2% em 2018, contando com perspectivas favoráveis para a taxa básica de juros, cujo declínio deve impulsionar a atividade econômica principalmente no ano que vem, e do câmbio, que deve apresentar uma evolução benigna ao longo deste e do próximo ano. Mas, de qualquer forma, há ainda muitos desafios pela frente.

*PESQUISADORES DO IBRE/FGV

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