Gilberto Marques/AE
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PIB em 2009 será 'positivo, porém muito fraco', diz Mantega

Ministro afirma que governo vai anunciar novas medidas para reativar economia, que 'já está em recuperação'

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

18 de junho de 2009 | 11h12

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 deve registrar resultado positivo, "mas será muito fraco", enquanto o crescimento em 2010 deve ficar em torno de 4%. "Em 2010, devemos crescer ao redor de 4%. Analistas apontam que a expansão será de, pelo menos, 3,5% no próximo ano", afirmou, ressaltando que, portanto, a previsão do governo "é bem factível". "Para 2011, devemos crescer, no mínimo, 5%."

 

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Durante a cerimônia do Destaque Agência Estado Empresas, Mantega afirmou que a economia está em processo de recuperação, que foi possibilitada basicamente por medidas de política monetária e fiscal anticíclicas. Ele citou como exemplo a redução da taxa básica de juros (Selic), que está em 9,25% ao ano, liberação de R$ 100 bilhões de depósitos compulsórios para bancos e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de veículos e produtos da linha branca.

 

Segundo Mantega, o governo deve anunciar "em breve" novas medidas que devem colaborar no esforço para reativar o nível de atividade no País. "Nós não podemos falar de medidas que ainda estão sendo amadurecidas pelo governo, mas que em breve serão apresentadas, mesmo porque isso poderia influenciar atitudes do mercado e isso não é favorável", disse o ministro. "Na área de crédito, haverá novidade e redução do custo de modo geral", completou.

 

Mantega afirmou que a crise financeira internacional foi um verdadeiro teste de estresse para verificar a solidez das economias em todo mundo. "O Brasil apresenta condições sólidas e passou pelo teste de estresse da crise", afirmou. O ministro ressaltou que medidas anticíclicas adotadas pelo governo, especialmente pelo Banco Central e Ministério da Fazenda, foram essenciais para retomar a demanda agregada no País. Porém, ele ressaltou que outras ações deverão ser adotadas pelo Poder Executivo. "Novas medidas têm de ser tomadas", afirmou ele, sem especificar quais seriam as medidas.

 

O ministro ressaltou que o governo está agindo para recuperar o padrão de crescimento registrado nos últimos dois anos, que deve ser atingido a partir de 2010. Ele enfatizou que o governo está criando fundos de aval e garantidores de crédito para ampliar a oferta de financiamentos na economia. Além disso, será implantado o Eximbank brasileiro - instituição avalista de exportações que já é adotada em outros países, como os Estados Unidos e Japão -, a fim de implementar as vendas externas do Brasil,

 

Mantega lembrou ainda que a Petrobras investirá R$ 66 bilhões neste ano e que, no primeiro trimestre de 2009, os investimentos da estatal superaram em 40% os realizados no mesmo período de 2008. "O Brasil é um dos poucos países com grandes projetos. Li um belo artigo no Estado de S. Paulo, no domingo, o qual relatava que há R$ 500 bilhões em projetos (de investimentos) que devem ocorrer nos próximos anos."

 

Dívida

 

O ministro afirmou ainda que a situação fiscal do Brasil é sólida e permitiu que o governo agisse com rapidez para estimular o consumo e os investimentos, enquanto o mundo passa pela pior recessão dos últimos 70 anos. "Vários países vão registrar déficits nominais elevados neste ano. Nos EUA, (tal indicador) deve chegar a 13,7% do PIB em 2009; no Reino Unido, 11%, enquanto no Brasil deve ficar perto de 2,1%", disse Mantega durante sua participação no evento Destaque Agência Estado Empresas.

 

O ministro ressaltou que em função do aumento dos gastos oficiais para reanimar suas economias, a dívida pública bruta dos países centrais deve subir nos próximos anos. Esse deve ser o caso dos, EUA, Alemanha, China e Reino Unido. No caso do Brasil, ele ressaltou que a tendência é de queda em 2008, 2009 e 2010.

 

Como a recessão mundial é muito forte, o ministro Mantega destacou que as economias desenvolvidas devem registrar uma retração neste ano. No caso dos EUA, essa queda será próxima de 2,5%, e na zona do euro, ao redor de 4%. "A crise amainou, mas não é hora ainda para comemorar", salientou o ministro, para quem o "pior da crise já passou" ou parou de piorar.

 

Na sua avaliação, as economias das nações mais ricas do mundo devem registrar uma pequena expansão em 2010, que deve variar de 0,5% a 1%. "O crescimento mundial dos próximos anos será capitaneado pelo Bric e o Brasil terá uma participação importante nesse processo", observou.

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