PIB foi bom, mas não muda classificação, diz agência de risco

A diretora de ratings soberanos para a América Latina da Standard & Poor´s, Lisa Schineller, considerou positivo o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2006 - em 2,9%, divulgado nesta quarta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, ela afirmou que o crescimento da economia no ano passado não altera as perspectivas da agência de risco para o rating (classificação de risco) do País."Um único resultado do PIB não altera a perspectiva de nota. Mas diria que o resultado é positivo, na medida em que mostra que a economia brasileira demonstra uma aceleração constante, mesmo que gradual", disse, em entrevista à Agência Estado.Para Schineller, é especialmente animador o crescimento de 6,3% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicativo de investimento -, pois reflete também a queda na taxa de juros básica (Selic). "Percebemos que pouco a pouco a redução dos juros vai tendo impacto na economia", diz, ressaltando que, dada a perspectiva de cortes para a Selic em 2007, esse processo se intensificará.Segundo a analista, também é positiva a perspectiva de redução para a relação dívida/PIB, um dos principais indicadores olhados por agências de risco. "A queda dos juros, com um crescimento maior e um primário forte, sem dúvida, vão melhorar essa relação", diz.País preparadoA melhora dos indicadores externos do Brasil nos últimos anos deixou o País preparado para enfrentar com mais conforto as turbulências internacionais. Essa é avaliação da diretora para ratings soberanos da América Latina, avalia Lisa Schineller. Para analista, o que está ocorrendo na China parece ser apenas uma correção de preços num mercado sobrevalorizado, mas, no caso de uma piora, ela analisa que o Brasil se encontra bem posicionado - com relação a outros emergentes - para enfrentá-la sem maiores danos.Para ela, no entanto, a posição do Brasil desfruta de uma boa solidez tanto no front financeiro, quanto no comercial. "Na América Latina, o Brasil é um dos países com a pauta de exportações mais diversificada em termos de produto e mercados. Por isso a economia brasileira tem boas condições de suportar uma mudança na China", diz.Do ponto de vista das contas do País, Schineller lembra que a relação dívida externa líquida (setores público e privado)/ exportações caiu de 220% em 2002, para cerca de 40% neste ano, segundo as projeções da agência. "Além disso, essa relação no setor público era de 100% em 2002. Em 2007 o País já será credor líquido", afirma.PesquisaMais da metade dos executivos brasileiros consultados pela pesquisa Panorama Empresarial da consultoria e auditoria Deloitte, divulgada nesta quarta, não compartilha a opinião da maioria dos analistas econômicos em relação ao grau de investimento. Para 54% dos entrevistas, o País alcançara o investment grade - condição de países considerados com baixo risco de crédito - somente a partir de 2010, contrariando as previsões do mercado que indicam essa possibilidade para 2008 ou 2009.Dois terços dos entrevistados apostam que o investment grade contribuirá para reduzir os custos de crédito em virtude da queda nas taxas de juros e cerca de 40% acreditam que ele acarretará um menor custo para a captação de financiamentos do exterior.Em relação aos investimentos externos feitos no Brasil, 88% dos executivos brasileiros esperam aumento ou, pelo menos, manutenção dos fluxos de capital provenientes do exterior.O levantamento revela também que a principal fonte de recursos utilizada pelas empresas é o capital gerado pela própria organização. Nada menos do que 67% dos entrevistados assinalaram utilizar recursos internos para viabilizar seus projetos de investimento.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.