PIB fraco estabiliza até a quantidade de milionários

Número de brasileiros com mais de US$ 1 milhão para investir cresceu 0,2% em 2012 e fica abaixo da média global, alta de 9,2%

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2013 | 02h08

A quantidade de brasileiros milionários ficou estável no ano passado na comparação com 2011. Os dados estão no Relatório sobre a Riqueza Mundial 2013 e revelam que a quantidade de brasileiros com mais de US$ 1 milhão disponíveis para investimento cresceu 0,2%, para 165 mil.

A estabilidade na quantidade de milionários brasileiros ocorreu por causa do resultado decepcionante Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 - a alta foi de 0,9% - e pelo desempenho ruim do mercado acionário, segundo o relatório conduzido pela Capgemini e pelo RBC Wealth Management.

O resultado do Brasil influenciou o desempenho da América Latina. O crescimento de milionários na região foi de 4,4%, o menor entre todas regiões pesquisadas. Os destaques foi a América do Norte (11,5%). "O Brasil desacelerou e influenciou negativamente a América Latina por representar um terço da região", afirmou Paulo Marcelo, vice-presidente sênior de Financial Services da Capgemini no Brasil.

No resultado global, a quantidade de milionários cresceu 9,2%, para a 12 milhões.

O relatório também apontou que o patrimônio global dos investidores cresceu 10% no ano passado, para US$ 46,2 trilhões, acima do recorde anterior de 2010 (US$ 42,7 trilhões) e do nível pré-crise, em 2007, de US$ 40,7 trilhões. A região com maior crescimento foi a Ásia-Pacífico (12,2%), seguida pela América do Norte (11,7%).

"O aumento global ocorreu porque a percepção de risco, especialmente no segundo semestre, diminuiu", disse Marcelo.

A projeção para o crescimento do patrimônio global é de 6,5% até 2015, de acordo com o relatório. A América Latina tem a pior projeção, de 3,1%. O melhor desempenho deverá vir da Ásia-Pacífico (9,8%).

Em 2012, o patrimônio global se concentrou em depósitos/disponibilidades (28,2%), ações (26,1%), imóveis (20%), renda fixa (15,7%) e investimentos alternativos - como fundos cambiais, derivativos (10,1%).

Na América Latina, a maior fatia de investimentos foi em imóveis (30,1%). Em seguida, aparecem disponibilidades e depósitos (27,6%), renda fixa (16,8%), investimentos alternativos (13,1%) e ações (12,5%). "Os investidores se mostram mais preocupados em preservar o patrimônio do que aumentá-lo", disse Marcelo.

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