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PIB global pós-pandemia

A locomotiva da retomada mundial em 2021 será certamente a China

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2020 | 05h00

Com o início dos programas de vacinação contra o coronavírus em vários países, os analistas internacionais estão fazendo as contas e prevendo que a economia global crescerá em ritmo sustentado a partir do segundo semestre de 2021 e que já no fim do ano que vem o PIB mundial voltará aos níveis registrados antes da pandemia.

Obviamente, até lá, o caminho será doloroso e turbulento, com a segunda onda de contaminação do vírus levando muitos países a adotar medidas restritivas de mobilidade social, o que afetará os gastos de consumidores, especialmente com serviços. Na zona do euro, por exemplo, os analistas projetam uma contração do PIB neste quarto trimestre e alguns não descartam outra queda no primeiro trimestre de 2021.

Os investidores globais, todavia, preferem focar nas perspectivas para a retomada de uma vida normal com o avanço da imunização da população de vários países contra o covid. Desde que as notícias sobre as vacinas injetaram uma dose de esperança e de otimismo, os preços das ações em Bolsas de Valores, de várias commodities e de moedas de países emergentes, entre outros ativos, engataram um rali impressionante.

O argumento é simples: o desempenho da economia mundial será bem melhor em 2021 do que foi em 2020, num ambiente ainda dominado por amplo estímulo monetário e, em menor grau, fiscal.

O banco JPMorgan estima um crescimento do PIB global de 4,8% em 2021, o que seria o maior avanço em mais de duas décadas. Mas essa não é nem a previsão mais otimista do mercado. O banco inglês Barclays prevê expansão de 5,5% da economia mundial no ano que vem. E a consultoria Capital Economics projeta um salto de 6,8%.

“Assim como a chegada do covid-19 determinou o curso da economia global em 2020, o recuo do vírus irá ditar a recuperação em 2021”, diz Sandra Philppen, economista-chefe do banco ABN-Amro. “Uma vez que os grupos mais vulneráveis da população sejam imunizados, as restrições à mobilidade podem ser gradualmente levantadas.”

Para os analistas do JPMorgan, a antecipação na distribuição de vacinas eficazes aumenta a confiança de que a segunda onda de covid-19 será curta e que a vacinação em massa abre caminho para uma recuperação sustentada da atividade econômica a partir do segundo trimestre de 2021.

Os economistas do banco Wells Fargo acreditam, inclusive, que a economia dos Estados Unidos voltará para os níveis pré pandemia já em meados de 2021, mas que o PIB da zona do euro e também do Reino Unido, que sofreu um tombo maior no auge da pandemia e agora enfrenta nova contração com a segunda onda, ainda será menor no fim de 2022 do que era no fim de 2019.

A locomotiva da retomada mundial em 2021 será certamente a China, o primeiro país a enfrentar o vírus e também o primeiro a sair da pandemia. Os últimos indicadores de atividade, referentes a novembro, mostraram que a economia chinesa acelerou o crescimento em relação ao terceiro trimestre, quando a expansão do PIB foi de 4,9%.

Aliás, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a China seja a única grande economia mundial a evitar uma contração em 2020, muito em parte pela eficiência em controlar a disseminação da covid. Para 2021, as projeções para o desempenho do PIB chinês estão cada vez mais otimistas. O JPMorgan passou a estimar um crescimento de 9,2%. Já a Capital Economics prevê uma expansão de impressionantes 10%.

Esse forte desempenho na China, que vem impulsionando os preços de matérias-primas, como minério de ferro, cobre e soja, também melhora as perspectivas da América Latina em 2021. “A América Latina precisa mais do que nunca de uma recuperação do crescimento global liderada pela China e de taxas de juros reais globais baixas por mais tempo”, dizem os analistas do Bank of America. Eles projetam um crescimento de 3,8% do PIB latino-americano em 2021, numa recuperação parcial do tombo de 7,4% esperado para a região em 2020.

A cereja do bolo será a tendência de um dólar mais fraco ante as principais moedas internacionais em 2021, o que ajudará o comércio internacional e o crescimento global. Mas para o Brasil, o risco a esse cenário de céu de brigadeiro é um só: a falta do ajuste fiscal.

* Colunista do Broadcast

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