Análise: PIB melhor que o esperado não altera projeção para o ano

Alessandra Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2015 | 02h03

O PIB mostrou-se melhor que o esperado no primeiro trimestre, mas não permite uma extrapolação no sentido de que os trimestres seguintes podem surpreender positivamente. Os indicadores de alta frequência já disponíveis para abril e maio apontam um comportamento ainda bem adverso da atividade econômica, o que indica uma nova retração no 2.º trimestre. Assim, a Tendências mantém a expectativa de recuo de 1,4% para o PIB do ano.

Embora melhor que o esperado, o resultado confirma a fraqueza da atividade econômica, que reflete, do lado da oferta, a debilidade do PIB industrial (que registra queda na comparação anual há quatro trimestres consecutivos) e a perda de apoio do PIB de serviços, que registrou recuo expressivo na comparação anual (-1,2%), refletindo um movimento que não acontecia em magnitude tão elevada desde 1992.

Do lado da demanda, destacam-se a expressiva retração em formação bruta de capital fixo e a perda de força do consumo das famílias, que resistiu até o ano passado. É a primeira vez, desde 2003, que o consumo registra queda na comparação anual. A retração dos investimentos, por sua vez, não é algo novo no cenário.

Ainda que o resultado tenha destaques positivos, como o desempenho agropecuário, as rubricas que perderam força, como serviços e consumo das famílias, têm peso muito relevante. Como os fundamentos que estão por trás dessas rubricas ainda devem mostrar enfraquecimento, os trimestres seguintes não devem trazer notícias positivas.

ECONOMISTA E SÓCIA DA TENDÊNCIAS

 

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