Valter Campanato/Agência Brasil
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'PIB mostra recuperação lenta e sustentável da economia', diz Ana Paula Vescovi

Segundo a economista-chefe do Santander, avanço de 0,4% no segundo trimestre veio dentro do previsto pelo banco; reformas devem contribuir para a continuidade do crescimento

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 15h57

A economista-chefe do Banco Santander e ex-secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou nesta sexta-feira, 29, que o crescimento do Produto Interno Bruno (PIB) de 0,4% no segundo trimestre ano, demonstra uma recuperação lenta e sustentável da economia. "O resultado do PIB atesta nossa leitura da economia, de recuperação lenta. Não será uma retomada acelerada", diz. Em sua visão as reformas da Previdência e a tributária dão espaço para a continuidade dessa melhora.

Para ela, a dívida pública do Brasil deve atingir 82% do PIB até 2026, mesmo com a reforma da Previdência [Em junho deste ano, a dívida bruta bateu em 78,7% do PIB]. "A reforma é fundamental para evitar o colapso, o ajuste fiscal precisa acontecer em seguida", disse. A economista aponta os subsídios fiscais e as regras de remuneração e contratação no setor público como os que deveriam ser modificados na sequência das reformas. 

Sobre o texto da reforma apresentado pelo relator Tasso Jereissati (PSDB-CE), que deve ser avaliado pelo Senado a partir da semana que vem, Ana Paula vê "boa potência fiscal" - ele prevê que a economia com as mudanças na aposentadoria será de R$ 990 bilhões em uma década. Ela acredita que a retirada da isenção previdenciária sobre o agronegócio é a mudança que mais pode trazer recursos para o governo federal. 

Ana Paula defende ainda que a entrada dos Estados e municípios no texto da reforma no Senado é o maior ganho que a Previdência pode ter no momento. "O deficit de Previdência de Estados e municípios já está em torno de R$ 400 bilhões", disse. 

Previdência privada

Durante a reunião técnica organizada pelo banco nesta quinta, o presidente da Zurich Santander, Marcelo Malanga, chamou a atenção para a estagnação do setor de previdência privada no País. "É concentrado, são os mesmos poupadores que apenas aumentam suas reservas e há pouca portabilidade", disse Malanga. De acordo com dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) divulgados pelo banco, apenas 3% dos investidores desse setor migraram para outros produtos em 2018.

Em razão dessas condições de mercado, o Santander anunciou a redução da taxa de administração de fundos de previdência de renda fixa: de 2% para 1% para todos os aportes, a partir do mínimo de R$ 30, mas podendo chegar a 0,5% para investimentos maiores. Hoje, 41% dos investidores de previdência privada pagam taxas acima de 1,25%.

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