PIB mundial vai cair 2,9%, prevê Bird

Mesmo com sinais de recuperação em alguns países, Banco Mundial revisou para baixo estimativa para 2009

, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

O Banco Mundial (Bird) revisou para baixo a estimativa de crescimento global no curto prazo, segundo relatório divulgado ontem. Este ano, a economia mundial deve se contrair 2,9%, apesar dos sinais de recuperação identificados em alguns países. Segundo a instituição, as perspectivas continuam "atipicamente incertas". A estimativa anterior era de declínio de 1,7% no ano. As previsões sobre o Brasil também são mais severas que as anteriores. Em 2009, a economia do País deverá encolher 1,1%. Em março, o Banco Mundial havia previsto um crescimento de 0,5% para o ano.Segundo o Bird, a recuperação mundial virá somente em 2010, quando a economia deve crescer 2%. Já em 2011, a alta será de 3,2%, diz o relatório. Nas estimativas sobre o Brasil, a reação também só será vista a partir de 2010, quando o crescimento será de 2,5%. Em 2011, será de 4,1%.Os países desenvolvidos deverão sofrer ainda mais com a crise, com uma queda prevista de 4,5% na zona do euro, de 3% nos Estados Unidos e de 6,8% no Japão. E as economias da América Latina e do Caribe devem cair 2,2% neste ano, contrastando com uma previsão de crescimento de 1,2% nas economias em desenvolvimento como um todo, diz o Bird. No entanto, se forem excluídas Índia e China do cálculo, as economias em desenvolvimento deverão sofrer uma queda de 1,6% neste ano.As previsões fazem parte do relatório Global Development Finance 2009, que adverte para uma queda acentuada nos fluxos de capital para os países em desenvolvimento neste ano. Segundo o relatório, a escassez de crédito decorrente da crise financeira mundial deve fazer o fluxo líquido de capitais para os países em desenvolvimento cair para US$ 363 bilhões neste ano, após ter atingido um pico de US$ 1,2 trilhão em 2007 e de já ter baixado para US$ 707 bilhões no ano passado.O Banco Mundial adverte que "o risco de crises de balanço de pagamentos e reestruturações de dívidas corporativas em muitos países merece uma atenção especial" e diz que a recuperação da economia global exige "uma rápida implementação de reformas" e um eventual afastamento dos governos da participação no sistema financeiro e a retomada do controle privado sobre o sistema bancário.O relatório comenta que os países da América Latina e do Caribe entraram na atual crise muito mais preparados do que em ocasiões anteriores, com fundamentos econômicos mais sólidos, mas ainda assim foram bastante afetados por causa da queda nos preços internacionais das commodities e da fuga de capitais estrangeiros de fundos de investimentos.A organização observa ainda que o sistema de câmbio flutuante adotado na maioria dos países da região os ajudou a absorver grande parte do choque inicial da crise e a evitar problemas nos seus sistemas financeiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.