PIB não reflete desempenho da construção, diz Sinduscon

O desempenho da construção civil não está refletido no Produto Interno Bruto (PIB) setorial divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). De acordo com o IBGE, o PIB da construção caiu 9,6% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado e teve queda de 9,5% no segundo trimestre, na mesma base de comparação. "O IBGE calcula o PIB do setor em função da produção física de materiais. Nossa percepção, principalmente pelo parâmetro de nível de ocupação, mostra que o nível de atividade da construção civil não é negativo", disse o presidente do Sinduscon-SP, Sergio Watanabe.

CHIARA QUINTÃO, Agencia Estado

11 de setembro de 2009 | 19h06

A última estimativa de crescimento do setor em 2009 divulgada pelo Sinduscon-SP é de 3,5%. Na avaliação da consultora da FGV Projetos, Ana Castelo, a expansão deve ficar em torno de 2% a 2,5%. Trata-se de estimativa preliminar, pois os cálculos para o ano ainda não foram refeitos. Já a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) prevê estabilidade para o segmento de materiais e poderá revisar a projeção para baixo, dependendo dos números de agosto. A expectativa é que, a partir de agosto, as vendas de materiais passem a ser maior do que as do mês equivalente de 2008. O desempenho de agosto pode sinalizar se será possível reverter a queda acumulada no ano, segundo o presidente da Abramat, Melvyn Fox.

No primeiro semestre, embora tenham lançado poucos produtos, as incorporadoras deram prosseguimento às obras dos empreendimentos imobiliários já anunciados. Como não houve descontinuidade das obras, a demanda de materiais por parte das empresas não se retraiu. Já a demanda pelo varejo caiu por conta da redução do consumo das famílias, devido à retração do crédito decorrente da crise financeira internacional e à insegurança em relação ao que poderia ocorrer, conforme a consultora da FGV Projetos. Ana Castelo destacou que, além do mercado imobiliário, o segmento de infraestrutura também manteve a continuidade das atividades. As construções industriais tiveram desaceleração, mas o peso do segmento no setor de construção civil é pequeno, segundo a consultora.

O presidente do Sinduscon-SP ressaltou que, até julho, toda a perda de postos de trabalho na construção em novembro e dezembro do ano passado foi recomposta. Em julho, o nível de emprego da construção civil foi recorde, com 2,216 milhões de trabalhadores, conforme pesquisa mensal realizada pelo Sinduscon-SP e pela FGV Projetos. O recorde anterior havia sido registrado em outubro do ano passado, quando o número de empregados do setor somava 2,194 milhões. Watanabe citou também que o consumo de cimento no primeiro semestre ficou praticamente estável na comparação com o mesmo período do ano passado, o que reforça que o nível de atividades de construtoras e incorporadoras não foi reduzido.

O programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" impulsionou a retomada da procura por imóveis destinados à baixa renda, enquanto a demanda por parte das classes média e média-alta foi incentivada com a ampliação do limite máximo do valor do imóvel a ser financiado com recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), de R$ 350 mil para R$ 500 mil. "O governo tem anunciado programas anticíclicos, não só para o setor de construção", disse o presidente do Sinduscon-SP, ressaltando que, diante dos estímulos, as incorporadoras retomaram lançamentos de imóveis. Nos primeiros meses do ano, os esforços de vendas por parte das empresas se concentraram nos estoques prontos e em construção.

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