PIB: novas frustrações no horizonte?

O PIB do segundo trimestre deste ano só será conhecido dia 30 de agosto. Mas, até lá, diversos indicadores serão divulgados e seremos bombardeados por inúmeras projeções, algumas mais pessimistas, outras mais otimistas.

SILVIA, MATOS, ECONOMISTA DA ECONOMIA APLICADA, COORDENADORA TÉCNICA DO BOLETIM MACRO FGV/IBRE, SILVIA, MATOS, ECONOMISTA DA ECONOMIA APLICADA, COORDENADORA TÉCNICA DO BOLETIM MACRO FGV/IBRE, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h05

Independentemente disso, mesmo os mais otimistas não conseguem evitar certo ceticismo quanto ao cenário de crescimento brasileiro. Podemos crescer um pouco mais ou um pouco menos, mas os valores referenciais são cada vez menores, de acordo com o Boletim Focus. Nossa avaliação também sinaliza para um cenário não muito otimista.

Em primeiro lugar, a frustração com o primeiro trimestre foi grande. Não apenas em relação à taxa em si, mas a sua composição. Excluindo a agropecuária, o crescimento do PIB dos três primeiros meses foi bem mais fraco que o divulgado no último trimestre do ano passado.

Em segundo lugar, como começamos o ano não muito bem, houve uma redução do carregamento estatístico do PIB para 2013. Se a economia registrar neste e nos próximos trimestres crescimentos nulos, o resultado no final do ano será um PIB de apenas 1,3%. Se o PIB tivesse crescido 1% no primeiro trimestre, já teríamos garantido um valor um pouco melhor para o ano, de 1,7%. Como cresceu só 0,6%, as projeções para 2013 foram bastante reduzidas.

Em terceiro lugar, as informações que temos até o momento sobre o ritmo da atividade econômica neste segundo trimestre não são alentadoras. A agropecuária, apesar da sua maior contribuição para o PIB se concentrar no primeiro semestre, teve uma parte relevante já contabilizada no primeiro trimestre. Para o segundo, ainda se espera uma contribuição favorável, mas bem aquém da registrada no início do ano.

O setor serviços também não deve crescer a taxas muito elevadas, de acordo com as indicações do Índice de Confiança do FGV/Ibre. Entre março e maio de 2013 a confiança recuou 2,4% em relação aos meses de dezembro a fevereiro. Além disso, os dados referentes ao emprego no setor corroboram essa análise: tanto as contratações formais, do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, como a população ocupada nas principais regiões metropolitanas, da Pesquisa Mensal de Emprego, têm perdido fôlego nos últimos meses. Como este setor é intensivo em mão de obra, os dados referentes ao emprego são um bom termômetro setorial.

Então as esperanças se voltam para a indústria. O crescimento neste e nos próximos trimestres dependerá muito do setor industrial. Segundo dados da PIM-PF, a produção da indústria de transformação de abril cresceu 1,7%. Mesmo se houver uma estabilidade em maio e junho, haverá um crescimento em relação ao trimestre anterior. As Sondagens do Ibre, contudo, mostram que essa recuperação não está garantida, pois os sinais ainda são muito dúbios. Por um lado, houve um aumento do Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) entre abril e maio, de 84,2% para 84,6%, e melhora na percepção dos empresários sobre o momento presente. Mas, por outro lado, ocorreu uma piora das expectativas. Em relação aos outros subsetores da indústria, mesmo avaliando que o péssimo resultado do primeiro trimestre não irá se repetir, ainda não há sinais de crescimento muito expressivo.

Consolidando todas essas informações, a previsão do IBRE para o crescimento do PIB no segundo trimestre é de 0,7%. Para o ano como um todo é de 2,3% e para 2014, 2,6%. Com isso, a taxa média de crescimento no governo Dilma ficaria em 2%. Ou seja: saímos da quase estagnação, mas só conseguimos atingir taxas de crescimento muito modestas. Infelizmente esse número tão desalentador pode nem ser atingido, já que o ambiente externo tem sido um fator adicional de preocupação. Uma piora no cenário mundial pode limitar ainda mais nossa trajetória de crescimento neste e nos próximos anos.

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