Gabriela Bilo|Estadão
Gabriela Bilo|Estadão

PIB pode crescer até 1,1% em 2017, diz economista do Santander

Segundo Rodolfo Margato, o principal indutor do crescimento da economia brasileira neste momento é o consumo das famílias; PIB do 3º trimestre subiu 0,1%, apontou o IBGE

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 11h14

O resultado do PIB brasileiro, divulgado nesta sexta-feira, 1, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi considerado positivo pelo economista do Banco Santander Rodolfo Margato. Em teleconferência, o analista explicou que a alta de 0,1% no terceiro trimestre ante o segundo trimestre de 2017 veio abaixo da projeção do banco (+0,3%), mas motivou a atribuição de um viés de alta à estimativa de crescimento de 0,8% do banco.

As revisões do PIB em períodos anteriores - principalmente, os dados revisados para o segundo e primeiro trimestres de 2017 - motivaram a equipe de análise macroeconômica do banco a atribuírem o viés que incute a possibilidade de o PIB crescer de 1% a 1,1% do PIB neste ano. Os economistas do Santander vão trabalhar, agora, na incorporação dos novos dados para decidir sobre a revisão ou não da projeção para este ano.

O analista do Santander observou que a força motriz do crescimento brasileiro continua sendo o consumo das famílias. Esse movimento deverá continuar no ano que vem, haja visto o comportamento do mercado de trabalho e do aumento da massa salarial real.

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Margato destacou ainda que a alta do PIB da indústria de 0,8% no terceiro ante o segundo trimestre deste ano foi importante e tem como pano de fundo o crescimento do índice de difusão, conhecido na pesquisa industrial do IBGE. "O índice de difusão desse crescimento passou de perto de 30% no início do ano para algo entre 55% e 60%", afirmou. Segundo o profissional, entretanto, ainda preocupa é o grau de ociosidade da capacidade instalada.

Por conta dessa preocupação, o economista afirma que há dúvidas sobre a sustentação da taxa de crescimento do PIB nos próximos anos. "O famoso hiato do produto vai continuar muito aberto. Será anulado apenas no segundo semestre de 2019", disse Margato. Para 2018, a projeção do Santander para o PIB brasileiro segue em um crescimento de 3,2%.

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Na avaliação do economista, as eleições de 2018 não irão prejudicar o crescimento da economia brasileira. Segundo ele, há um componente cíclico da recuperação econômica e os fundamentos macroeconômicos sólidos - inflação baixa e Selic a 6,75% ao longo de todo o ano, segundo o banco - que favorecem o avanço do PIB no ano que vem. Além disso, haverá uma herança estatística de 2017 positiva para o ano de 2018, segundo o analista. "Mas de 2019 em diante, há riscos importantes [para a sustentação de um forte crescimento do PIB] na cabeça de todo analista", afirmou o economista do Santander em teleconferência.

Demanda doméstica.  Apesar de o resultado geral do PIB brasileiro ter ficado levemente abaixo do consenso do mercado na margem, a recuperação da economia brasileira ganha força, na avaliação do economista-sênior internacional da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia.

O consenso do mercado, de acordo com o Projeções Broadcast, era de uma alta de 0,2%. Em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB doméstico registrou expansão de 1,4%. Para este caso, a mediana apontada era de 1,25%. No período, segundo o IBGE, a atividade brasileira foi de R$ 1,641 trilhão. "Esses dados confirmam que a recuperação continua, apesar do fraco resultado geral", comentou em relatório enviado há pouco a clientes.

A taxa na margem, de acordo com Abadia, foi afetada por uma grande queda na atividade no setor agrícola e uma forte recuperação nas importações, deprimindo as exportações líquidas. "De fato, as importações aumentaram 6,6% na comparação trimestral, após uma queda de 3,4% no segundo trimestre, sinalizando que a demanda interna está se recuperando", analisou. Já as exportações aumentaram apenas 4% no terceiro trimestre em relação ao segundo, quando foi verificado um "modesto aumento".

A atividade em outros setores-chave, entretanto, aumentou a um ritmo relativamente forte, na percepção do economista. Ele citou que o consumo doméstico cresceu 1,2% na margem pelo segundo trimestre consecutivo e que a queda da inflação, taxas de juros mais baixas e a estabilização no mercado de trabalho estão ajudando a recuperação dos gastos do consumidor. Abadia acredita que os dados do período também tenham sido influenciados pela decisão do governo de liberar recursos do FGTS aos trabalhadores, levando a um aumento do consumo.

 

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