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PIB pode crescer mais de 3,5% em 2004, diz Meirelles

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não será surpresa se o Produto Interno Bruto (PIB) do País crescer mais do que 3,5% no ano que vem, desde que alguns fatores não sofram alteração e que se mantenham as projeções da equipe econômica, como a meta de inflação, o que possibilitará a continuidade da queda gradual dos juros. Em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News, ele disse que o Brasil tem condições e vai crescer a taxas superiores a 3,5% em 2004. "Para isso, é importante que as pré-condições estejam estabelecidas. Em primeiro lugar, a inflação sob controle, estabilidade de planejamento para que as companhias possam investir para crescer e aumentar sua capacidade de produção. O que nós precisamos é eliminar os gargalos (de infraestrutura), que hoje impedem que a economia brasileira cresça muito."Exemplo do passadoSegundo Meirelles, uma olhada no passado mostra que esses gargalos sempre estiveram presentes. "Toda vez que a economia começava a crescer numa taxa que desejávamos, voltava a inflação, voltava o problema, porque nós temos gargalos de produção. Nós temos de investir nisso, no aumento da capacidade produtiva, para que a economia brasileira, aí sim, possa ter um potencial de crescimento mais elevado. Estamos caminhando nessa direção, além do fato de que, na medida em que a necessidade de financiamento do governo cai, na medida em que as reformas são aprovadas, o superávit primário for mantido, nós vamos ter maior possibilidade de recursos disponíveis para o investimento."InflaçãoSegundo Meirelles, a inflação projetada para os próximos 12 meses é de 6,75%, abaixo portanto da meta ajustada. "Isso está em linha com a meta de 5,5 para o ano de 2004." Ele explicou que esse número será alcançado sem qualquer medida artificial, como o controle de preços. Disse que esse expediente não tem mais lugar na economia brasileira, já que está superada a fase em que o governo recorria a este mecanismo, que na realidade nunca deu resultado.Gradualismo com os jurosO presidente do BC reiterou que a queda da taxa de juros deve continuar gradual, pois o que de fato influencia a economia é a estrutura a termo da taxa de juros no mercado. "O que nós precisamos é assegurar que não haja volatilidade nesta taxa, e não haja volatilidade também no (preço do) produto. Portanto, é importante que a taxa de juros tenha uma trajetória cadente, mas o Banco Central olha com muita segurança o que está ocorrendo na economia, para se assegurar de que a inflação continua a sua trajetória cadente para que a taxa de juros a termo possa também cair, de acordo com a trajetória desejada."Spread bancárioMeirelles reconheceu que o consumidor ainda não sentiu o efeito da redução da Selic, mas que isso deve ocorrer nos próximos meses. "O compulsório já foi baixado, as taxas de juros estão caindo, as taxas de juros a termo da economia também estão caindo, o que influencia a taxa de juros no mercado. Então, as condições já estão dadas. Acho que, agora, é uma questão de o consumidor demandar taxas de juros mais baixas, e nós esperamos que nos próximos meses vamos ver cada vez mais o efeito na ponta do consumo."Juros e inflaçãoSegundo Henrique Meirelles, as taxas de juros no Brasil têm sido historicamente elevadas, e de há muito tempo. Isso mostra, de acordo com sua explicação, que todas as vezes que a taxa caiu abaixo de certo nível, a inflação sobe. E disse estar de acordo com a análise feita a propósito pelo economista Persio Arida. "Nós vivemos num País que de fato tem uma estrutura de taxas de juros alta. Essa é a visão do economista (Arida). Ele inclusive propôs, como desafio aos economistas brasileiros, descobrir o por quê e o como fazer, o que mostra que é uma solução que demanda muita coisa. Na nossa avaliação, isso é resultado de uma série de coisas por que passou o Brasil. O País teve hiperinflação, teve quebra de contratos no passado, teve diversas crises importantes, os superávits primários crescentes são fenômeno recente na economia brasileira. Então, nós achamos que tudo isso está também ligado ao alto risco do País."Mudanças positivasPara o presidente do Banco Central, este cenário já mudou. "No momento em que o governo está se mantendo firme, com uma política fiscal consistente, com um superávit primário acima da meta (fixada com o FMI) e já sendo desdobrado para os próximos anos, com uma política monetária que sinaliza uma estabilidade de preços... Essa política consistente do governo, em todos os seus aspectos, vai levar a essa taxa de juros, chamada de equilíbrio da economia, a cair através do tempo."Isenção ideológicaPerguntado sobre sua declaração de que o BC deveria manter uma isenção ideológica, Meirelles respondeu: "Basicamente, o que nós mencionamos é que existem políticas que funcionam e políticas que não funcionam. Claramente, este governo tem um comportamento fortemente comprometido com a postura ideológica de distribuição de renda, de inclusão social, de geração de emprego. E é esta a política dentro da qual o Banco Central está engajado. Dito isso, é importante dizer que nós temos de olhar aquilo que funciona na política econômica e na política monetária, não só Brasil e no mundo, e tomar as medidas necessárias para conseguirmos, aí sim, que a inflação baixe e com estabilidade nós possamos crescer de forma sustentada, e gerar empregos e maiores recursos para o governo fazer sua política social. Em resumo, a ideologia deve se colocar na ponta dos investimentos do governo, no foco do social, e não na tomada de decisões técnicas que, na realidade, têm de seguir de novo a melhor prática dos bancos centrais do mundo."

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