PIB pode subir 4% em 2006, afirma secretário do Tesouro

O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, disse nesta sexta-feira, dando suporte às declarações recentes do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode crescer 4% neste ano, apesar das expectativas contrárias do mercado. "Acho que essa é uma possibilidade. As expectativas a gente sabe que estão abaixo disso, mas a gente, como diz o ministro, não descarta a possibilidade de ir para um território de 3,5% a 4%", afirmou Kawall, que evitou, quando perguntado, comentar se sua expectativa se aproximava mais de 3,5% ou de 4%."Eu, certamente, torço para os 4% e acho que a gente pode chegar lá, na hipótese do último trimestre ser melhor do que o esperado", acrescentou Kawall, ressaltando que os últimos indicadores da corrente de comércio foram melhores do que o esperado.SelicAinda de acordo com Kawall, o próximo ano deve se apresentar mais favorável a um crescimento maior do PIB. "Certamente, eu acredito que o crescimento, no ano que vem, pode ser melhor do que aquele que a gente vai ter este ano, inclusive, repetindo níveis que nós chegamos em 2004, próximo a 5%", finalizou. Apesar de evitar comentar a implementação da política monetária pelo Banco Central, o secretário do Tesouro disse que o cenário inflacionário é mais favorável a uma aceleração da queda da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13,75% ao ano). "Nesse momento, acho que a política monetária tem sido prudente e tem conseguido uma redução dos juros maior do que a antecipada no início do ano. Vai caber ao Banco Central tomar essa decisão (de acelerar os cortes), mas de fato a gente está no cenário mais favorável do que o imaginado", disse Kawall, para quem o BC tem sido bem-sucedido no controle da inflação, haja visto os indicadores recentes de variação dos preços no mercado interno.O secretário do Tesouro também não vê um risco de superdosagem da política monetária que possa levar a inflação a fechar o ano abaixo do piso da meta estipulada, de 4,5%. "As expectativas ainda sugerem algo próximo a 3%. São poucos meses que faltam até o fim do ano, portanto acho que, até onde sei, seria nesse momento uma surpresa (a inflação abaixo do piso)", disse Kawall, que participou nesta sexta de almoço fechado na Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima).Para Kawall, é pequena a possibilidade de que as incertezas relacionadas ao desempenho da economia dos Estados Unidos possam ter uma influência negativa sobre a política monetária, que leve a uma interrupção dos cortes da Selic. "Teria que ser algo muito mais forte do que uma incerteza, com relação à trajetória da economia americana, para afetar significativamente a política monetária", disse o secretário, lembrando que foi justamente o questionamento relativo a um desempenho econômico dos EUA que levou à volatilidade de maio, cujo efeito sobre a trajetória de queda dos juros internos foi nulo. DívidaO secretário afirmou que a parcela pós-fixada da dívida pública brasileira deve encerrar o ano próxima do piso previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF), que é de 39% do total. "Tudo caminha neste momento para chegarmos mais próximos do limite inferior da banda, de 39%. Algo em torno de 40%", disse.Segundo Kawall, o quadro inflacionário em conjunção com a trajetória de queda da Selic tem favorecido o alongamento da dívida pública e a elevação da parcela pré-fixada, e deve continuar ajudando o Tesouro no seu objetivo de diminuir o volume de títulos pós-fixados em poder do mercado.Entretanto, de acordo com Kawall, o Tesouro não deve ser mais agressivo no alongamento da dívida. "Temos um cenário mais favorável no sentido do alongamento da dívida, e para o Tesouro certamente é o cenário ideal. Isso não quer dizer que a gente vai artificialmente pisar no acelerador", esclareceu.Apesar da postura cautelosa, Kawall afirmou também que a redução da parcela pós-fixada da dívida em 2007 pode ser na mesma grandeza da observada neste ano, ou seja, em torno de 12%. "Acredito que temos tudo para ir abaixo do porcentual deste ano. Não acho que vamos chegar a níveis de 20% ou menos, mas provavelmente continuaremos (na trajetória de queda)", disse Kawall.

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