PIB puxado por consumo é modelo que se esgotou, dizem especialistas

Enquanto a agropecuária cresceu 1,7% em relação ao segundo trimestre de 2011, os serviços tiveram expansão de 1,5%, informou o IBGE

Daniela Amorim, da Agência Estado,

31 de agosto de 2012 | 19h36

RIO - A ligeira alta de 0,5% no PIB no segundo trimestre do ano foi puxada mais uma vez pelo setor de serviços, com destaque para o papel da administração pública. A agropecuária também ajudou no resultado, revertendo o primeiro trimestre ruim, em uma recuperação calcada nas lavouras de café, milho e algodão.

Enquanto a agropecuária cresceu 1,7% em relação ao segundo trimestre de 2011, os serviços tiveram expansão de 1,5%, informou o IBGE. Os estímulos do governo ajudaram ainda a manter o consumo aquecido, mas a demanda perde fôlego, o que já era antecipado por indicadores econômicos, como taxas menores de crescimento do emprego e da renda.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o consumo das famílias teve expansão de 2,4% no segundo trimestre de 2012. Foi a 35ª taxa positiva consecutiva, mas mantém-se há um ano em patamar consideravelmente mais baixo do que o verificado no início de 2011, quando rodava entre 6% e 5%.

"Há claramente um esgotamento do avanço (do PIB) puxado por consumo e serviços. Se o investimento não salta, se a renda não é criada, é claro que vamos ter problemas de inadimplência e desaceleração do crédito. Isso reduz o consumo e faz os serviços desacelerarem", avaliou Roberto Messenberg, coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "O que falta são novas fontes de injeção de renda na economia que não apenas serviços e estímulos ao consumo", acrescentou.

O IBGE reconheceu que esperava um freio no consumo. "Várias coisas estavam indicando que a gente continuava tendo crescimento do consumo das famílias, mas a uma taxa um pouco menor.", disse Rebeca Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE. "O crédito para pessoa física também teve desaceleração".

Em nota, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, exaltou a demanda doméstica como o principal suporte da economia, com o consumo das famílias estimulado pela expansão moderada do crédito, geração de emprego e renda. Entretanto, especialistas apontam que os números mais modestos tanto do PIB quanto dos serviços e do consumo são a prova de que apostar na mesma fórmula adotada na recuperação do País durante a crise de 2009 não basta para alavancar a economia. Muito menos no ritmo de países como a China e a Índia.

"A base anterior já é alta, então é difícil aumentar mais (o consumo). Não digo que o consumo perdeu o fôlego, digo que ele não basta mais para o crescimento do PIB. Precisa que, sobretudo, o investimento aumente", alertou Alcides Leite, professor de Economia na Trevisan Escola de Negócios.

Entre os destaques de serviços, o governo foi o destaque. O subsetor de Administração, saúde e educação públicas teve avanço de 3,3% no segundo trimestre de 2012 ante o mesmo trimestre de 2011. Também registraram expansão os serviços de informação (2,6%) e intermediação financeira e seguros (1,8%).

"Estamos no segundo ano de governo", lembrou Rebeca, explicando que, o primeiro ano dos governos normalmente é marcado por contenção de gastos, o que é revertido no ano seguinte. Por outro lado, a queda na indústria prejudicou o setor de Transporte, armazenagem e correio, que registrou recuo de 0,6% no período.

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