PIB veio dentro do esperado, diz Dieese

São Paulo, 28 - O desempenho do Produto Interno Bruto Brasileiro, que ficou em 1,51%, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE, confirmou as expectativas de resultado fraco projetadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), disse o diretor Técnico da instituição, Sérgio Mendonça. "Percebemos um ritmo menos intenso nos empregos do setor de Serviços. E ficou muito claro, desde março do ano passado, que o setor industrial não vinha se comportando bem, ao registrar quedas consecutivas nos índices de emprego", comentou. Segundo o IBGE, o PIB do setor de Serviços registrou alta em 2001 de 2,52%, enquanto que o PIB industrial retrocedeu 0,58% ao longo do ano. "O racionamento de energia foi, sem dúvida, o vilão desse desempenho ruim. Além de contar com fatores nega tivos como a crise argentina e a desaceleração da atividade econômica mundial, em especial nos Estados Unidos", analisou. Para ele, o comportamento do câmbio e as altas taxas de juro também prejudicaram significativamente o comportamento da economia brasileira ao longo de 2001. "Esperávamos um crescimento na faixa de 2% e o resultado final foi pior. Se separarmos o desempenho do PIB por semestre, veremos que o índice foi negativo ou foi muito perto de zero na segunda metade do ano e isso principalmente foi fruto do racionamento", opinou. Paulo Renato: ?Foi o possível?O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, afirmou que o crescimento de 1,5% do PIB em 2001 foi "o possível para o País". Segundo ele, esse resultado foi mais do que se previa no ano passado depois das crises de energia e da Argentina. Ao deixar há pouco o Ministério da Fazenda, onde discutiu assuntos relativos à sua pasta, Paulo Renato disse que não é possível pensar no número ideal para o PIB fora do contexto histórico do País. "2001 foi um ano muito difícil", acrescentou o ministro, que é economista. Apesar do crescimento lento, o ministro considerou importante o fato de o País não ter entrado em recessão, apesar da crise. Ele ressaltou que há no momento indicadores positivos para a economia, como a melhora da avaliação do Brasil pelas agências internacionais de risco, que vai permitir uma reduçaõ do risco do País e, consequentemente, da taxa de juros. "O juro não se reduz por vontade do governante. Só conseguiremos reduzir os juros de forma sustentada quando o risco for menor do que hoje. E estamos caminhando para isso", afirmou.

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2002 | 12h23

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