'Pibinho' foi o da União Europeia, diz Guido Mantega

Ministro admite que PIB do Brasil ficou "longe" do esperado, mas ainda aposta em expansão em 2009

estadao.com.br,

10 de dezembro de 2009 | 12h22

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta quinta-feira, 10, que a economia brasileira no terceiro trimestre mostrou-se aquém do esperado. "Ficou longe do que eu e analistas falamos", disse (veja gráfico ao final do texto com os dados oficiais).

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Diante de uma brincadeira dos jornalistas de que o resultado do terceiro trimestre foi um "Pibinho", o ministro afirmou que "pibinho" foi o da União Europeia, da Espanha, Alemanha, EUA e Reino Unido.

 

O PIB (Produto Interno Bruto) do País no período de julho a setembro foi 1,3% maior do que entre abril a junho. Em comparação com o terceiro trimestre do ano passado, houve queda de 1,2%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O ministro havia previsto alta de 2%.

 

Mantega afirmou que a recessão causada pela crise internacional foi "menos forte" do que os dados anteriores mostravam, mas ponderou que a recuperação da economia também foi "menos forte". "O PIB caiu menos e também cresceu menos", comentou.

 

Ele explicou que a revisão do PIB do quarto trimestre de 2008 e do primeiro de 2009 mostrou que a recessão foi menos intensa. Já os dados do segundo e do terceiro trimestres, segundo Mantega, apontam um ritmo de crescimento mais lento do que o imaginado.

 

Em relação ao dado do terceiro trimestre especificamente, ele destacou como pontos positivos "forte recuperação da indústria" (que, segundo ele, é importante por gerar tecnologia e agregar valor) e o desempenho positivo dos investimentos, que cresceram 6,5%, mostrando recuperação forte, o que na visão do ministro é importante para a sustentabilidade do crescimento.

Apesar do resultado do PIB abaixo do previsto no 3 º trimestre, Mantega afirmou que a sua previsão de crescimento de 1% para 2009 está comprometida. Ele, no entanto, disse que o resultado do ano ainda será positivo. "Mas não vou arriscar um número", disse.

 

O ministro afirmou também não ver maiores preocupações com a inflação e também com a taxa de juros. "A gente só tem motivos para subir juros quando a inflação ultrapassa a meta", disse Mantega.

 

Para Mantega, não procedem as análises de que o governo está gastando muito. Ele justificou afirmando que o crescimento do consumo do governo no terceiro trimestre ficou abaixo da expansão geral do PIB, que foi de 1,3%, em relação ao segundo trimestre.

 

 

(com Fabio Graner, Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado)

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