Pico da bonança para emergentes já passou, dizem europeus

O pico da prolongada temporada de bonança para os países emergentes, cujas taxas de risco atingiram seu menor nível histórico no mês passado, já é coisa do passado, segundo a avaliação de analistas estrangeiros. Ao longo dos últimos dias, os ativos desses países vêm acumulando perdas diante da renovada preocupação dos investidores com a pressão inflacionária nos Estados Unidos, que pode fazer com que o Federal Reserve adote altas nos juros mais agressivas do que era previsto.Essa queda no apetite por risco não significa necessariamente que os emergentes estão fadados a partir de agora a uma trajetória consistente de perdas. Mas, segundo os analistas entrevistados pela Agência Estado, as valorizações impressionantes dos últimos tempos dificilmente serão repetidas."Os mercados vivem um momento de inquietação, com ninguém sabendo ao certo se estamos diante de uma correção sustentável ou apenas diante de um ajuste isolado e reversível", disse a estrategista-chefe do fundo de investimentos Insight Investments, Ingrid Iversen. Ela acredita que não há razões para um forte pessimismo. "Mesmo com essas perdas dos últimos dias, os emergentes ainda estão num nível muito positivo pois tiveram uma valorização impressionante nos últimos tempos." Além disso, observa, ainda há uma abundante liquidez nos mercados que pode ser injetada nos emergentes.Mas diante das incertezas com a economia norte-americana devendo continuar por um bom tempo, Iversen afirma que os tempos de altas recordes para os ativos emergentes foram ultrapassados. "Após atingir o seu teto, a partir de agora os mercados devem andar de lado, com alguns momentos de maior volatilidade." Ela observa que com a aproximação do final do ano, muitos fundos de investimentos querem consolidar os ganhos obtidos em 2005 com a classe emergente. "Muita gente prefere não arriscar perdas nesse final do ano e e adota uma postura mais cautelosa", disse. "Por isso, nesses tempos, quando houver alta nos emergentes, haverá um maior número de investidores propensos a realizar seus lucros e fechar seus livros com segurança." Iversen acredita também que a partir de agora os investidores ficarão mais sensíveis a notícias negativas relacionadas aos países emergentes."Alta exagerada" - O economista-chefe do fundo de investimentos alemão Commerz Asset Management, Harald Eggerstedt, também não vê a atual correção negativa para os ativos emergentes como algo dramático. "Estamos presenciando um ajuste pois os emergentes tiveram uma performance forte demais em setembro - a do Brasil foi espetacular", disse Eggerstedt. Segundo ele, os mercados adotarão um tom mais cauteloso a partir de agora. "Os investidores estão mais preocupados com os juros nos Estados Unidos e decidiram realizar seus lucros pois viram que a alta talvez tenha sido exagerada."O analista observa, no entanto, que os fundamentos continuam positivos para os emergentes. "A economia mundial segue crescendo num ritmo bom, os preços das commodities seguem fortes e os emergentes, no geral apresentam um bom gerenciamento macroeconômico", disse. "Esses fatores não vão desaparecer da noite para o dia."Rashique Rahman, analista do HSBC, afirma em relatório para clientes que os fatores técnicos para a dívida emergente se deterioram recentemente, com a exposição dos investidores a esses ativos atingindo níveis preocupantes no final de setembro. A exposição aos países considerados de maior risco, como a Venezuela, cresceu. Além disso, Rahman observou que a migração de recursos da dívida brasileira para a russa (de menor risco), que havia ocorrido durante o pico da crise política brasileira, está sendo revertida.

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