Felipe Rau/Estadão
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PicPay, da família Batista, avalia buscar sócio para carteira digital

Com 13 milhões de usuários, aplicativo pioneiro em meios de pagamento no Brasil não descarta abrir capital; empresa movimenta R$ 900 milhões por mês e quer alcançar R$ 2 bilhões mensais

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 12h51
Atualizado 14 de outubro de 2020 | 16h57

O PicPay, carteira digital que pertence à família Batista, dona da JBS, deve buscar um investidor para impulsionar seu crescimento, apurou o Estado. O Bradesco BBI  está assessorando a companhia, que estuda qual a melhor estratégia para expandir negócio.

Controlada pelo Banco Original, o PicPay também não descarta partir para uma abertura de capital. Ainda há várias possibilidades na mesa, afirmou uma fonte a par do assunto. A entrada de um investidor poderá dar maior robustez ao grupo para uma futura ida à Bolsa.

Com 13 milhões de contas, o PicPay é um aplicativo de meios de pagamento pelo celular e um dos líderes do setor de carteiras digitais no Brasil, onde foi o primeiro a oferecer pagamento QR Code. As plataformas Mercado Pago, do Mercado Livre, e o iti, do Itaú Unibanco, estão entre os principais concorrentes do negócio.

Atualmente, o PicPay movimenta cerca de R$ 900 milhões por mês. A expectativa da companhia é alcançar R$ 2 bilhões de transações mensais no ano que vem. Um dos fatores que devem dar impulso para bater essa meta é a implementação do sistema de open banking no Brasil, previsto para o segundo semestre de 2020. Esse sistema permitirá o compartilhamento de informações dos clientes no setor financeiro.

Criada como uma startup por três empreendedores do Espírito Santo, o PicPay foi comprado pelos Batistas em 2015. Dona da JBS, maior companhia de processadora de carne do mundo, a família tem vários outros negócios – é proprietária da Eldorado (papel e celulose), da Flora (de higiene e limpeza), de ativos de energia, além do Banco Original.

Teste

A busca por um investidor para seu carteira digital vai ser um teste para os irmãos Batista. O império da família foi abalado em maio de 2017, quando as delações dos irmãos Joesley e Wesley vieram à tona. Presos preventivamente em setembro de 2017 na Operação Tendão de Aquiles por suposta prática do crime de insider trading - uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro -, eles foram afastados das funções executivas do grupo.

Desde que os escândalos foram revelados, o grupo se desfez de vários negócios, como a Vigor e a Alpargatas. Dois anos e meio depois, a família volta a fazer planos mais robustos para os seus principais negócios. Planeja, por exemplo, listar as ações da JBS nos EUA. 

Em nota, a assessoria do PicPay informou que “o setor tem despertado cada vez mais o interesse de investidores e do mercado, e a companhia analisa as diversas alternativas estratégicas para acelerar ainda mais seu crescimento.” O Bradesco BBI confirmou que está assessorando o negócio.

Império familiar

  • Alimentos - Maior processadora de carnes do mundo, com vendas para 150 países, a JBS é dona da marca Friboi e tem forte atuação nos EUA. É o principal negócio do grupo. Os irmãos Wesley e Joesley Batista, após serem presos, estão proibidos de exercer funções executivos na companhia. 
  • Celulose - A Eldorado Celulose tem uma fábrica em Três Lagoas (MS). Em setembro de 2017, a J&F vendeu 49,4% da companhia para o grupo Paper Excellence. Os dois sócios estão envolvidos num contencioso. O caso está atualmente em arbitragem. 
  •   Higiene e beleza - A Flora, dona de marcas como Minuano, Ox, Francis e Albany, entrou no portfólio do grupo em 2009. O nome da empresa é uma homenagem a Flora, a matriarca dos Batistas.
  • Setor financeiro - Originado a partir do banco JBS, o Original se reinventou como um banco digital. Entre seus ativos está a companhia de pagamentos PicPay. 
  • Energia - A Âmbar Energia atua em projetos de geração – com termoelétricas, gasodutos e parques eólicos – e de distribuição de energia, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste.

 

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