Nacho Doce/Reuters
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Pilotos da Latam e da Gol concordam com corte de até 75% na remuneração

Azul ainda negocia acordo; segundo sindicato, quase 70% dos trabalhadores da empresa aderiram ao programa de licença não remunerada 

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 20h49

Diante da paralisação de voos decorrente da epidemia do novo coronavírus, pilotos e comissários de bordo da Latam e da Gol aceitaram as propostas de redução de salários em até 75% feitas pelas companhias. Na Azul, a proposta ainda está em negociação. 

No caso dos funcionários da Gol, o corte vai ser de 30% na parte fixa da remuneração em abril, de 40% em maio e de 50% em junho. Hoje, cerca de metade do salários dos pilotos e comissários da companhia é um valor fixo. A outra metade depende do número de horas voadas no mês, que, agora, é praticamente nulo. 

Como contrapartida, os trabalhadores terão garantia do emprego pelos próximos três meses. O número de folgas também vai aumentar até o fim deste semestre. Serão 16 dias de folga em abril, 18 em maio e 20 em junho.

Na Latam, onde cerca de 65% da remuneração é fixa, a redução nessa parte será de 50%. A empresa também garantiu estabilidade por três meses, mas, durante esse período, serão 20 folgas por mês. 

“Concordamos (com as propostas) na expectativa de que o governo permita o saque do FGTS para todos os tripulantes (ainda que eles não tenham sido demitidos), disse o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Ondino Dutra.

Segundo Dutra, com a Azul, o sindicato ainda está em negociação. A empresa, diz ele, propõe redução de 15% na remuneração fixa de abril. A companhia também criou um programa de licença não remunerada e, dos 14 mil funcionários, 9.500 já aderiram, de acordo com dados do sindicato.

Um dos mais atingidos pela crise provocada pela pandemia, o setor aéreo registrou, nesta semana, uma queda de 75% na demanda por voos domésticos e de 95% no mercado internacional, na comparação com o mesmo período do ano passado. Na semana passada, após conversas com as empresas, o governo alterou as regras de reembolso de passageiros de modo a ajudar as aéreas e postergou a cobrança de tarifas de navegação aérea. 

Procurada, a Latam informou manter negociações com  os sindicatos da classe. “A companhia tem se esforçado para a manutenção dos empregos e uma das propostas apresentadas, por exemplo, é a implementação da licença não-remunerada.” A Azul não confirmou o número de trabalhadores que aderiram ao programa de licença não remunerada. A Gol também não comentou o assunto.

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