Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Pimco entra com novo processo contra a Petrobrás

Maior gestora de bônus do mundo se associou a fundos de seis países em um processo contra a estatal nos EUA

Altamiro Silva Junior, correspondente , O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2015 | 02h03

NOVA YORK - A Pimco, maior gestora de bônus do mundo, com US$ 1,5 trilhão em ativos, e um grupo de fundos de investimento e de pensão, com operações nos Estados Unidos, Canadá, Europa, Kuwait, Tailândia e Israel, entraram com processo contra a Petrobrás na Corte de Nova York.

Também aparecem como réus executivos da empresa, incluindo a ex-presidente Maria Graça Foster, e subsidiárias internacionais da companhia brasileira que emitiram títulos no exterior.

A Pimco e os fundos entregaram os documentos na corte na última sexta-feira e, ontem, eles foram publicados. É o 23.º processo aberto contra a Petrobrás só na Justiça dos Estados Unidos este ano, fora várias ações coletivas que correm em paralelo na Justiça em Nova York.

Lava Jato. A Pimco e vários de seus fundos alegam que a Petrobrás omitiu informações sobre o esquema de corrupção agora investigado pela Operação Lava Jato. Com isso, os preços de seus ativos não refletiam adequadamente os fundamentos da empresa e quando as denúncias vieram a público, os papéis despencaram, provocando prejuízos milionários aos investidores que tinham papéis da petroleira brasileira.

O processo, de 153 páginas, cita que no auge da descoberta de óleo no pré-sal, em 2008, a Petrobrás chegou a valer US$ 310 bilhões. Agora, é negociada em torno de US$ 33 bilhões, em meio às repercussões de um escândalo de corrupção que envolveu vários políticos, construtoras e executivos da petroleira, destaca o documento.

Desvios. O texto menciona que o esquema de propina e lavagem de dinheiro desviou mais de US$ 28 bilhões dos cofres da companhia.

Aparecem como autores do processo a Pimco, 120 fundos administrados por ela e vários fundos e empresas da Allianz, grupo financeiro da Alemanha e dono da gestora. Além disso, aparecem fundações administradas pela Pimco e pela BlackRock, como a dos funcionários da fabricante de aviões Boeing, além de fundos de pensão, como o dos bombeiros da Califórnia e várias gestoras de recursos. Entre elas, o fundo soberano do Kuwait e a Western Asset, com sede no Texas.

O processo destaca que a Petrobrás emitiu no mercado de capitais US$ 98 bilhões em títulos para financiar a expansão de sua produção de petróleo.

Os gestores da Pimco, de acordo com o texto, se basearam nas informações "falsas e enganosas" da empresa divulgadas em prospectos e outros papéis no momento da emissão para comprar esses títulos.

O texto cita ainda os preços inflados pagos pela petroleira, por exemplo, na Refinaria de Pasadena, no Texas, onde desembolsou ao todo US$ 1,18 bilhão por uma empresa vendida um ano antes por US$ 42 milhões. O documento cita também vários trechos das delações de ex-diretores da Petrobrás, como Paulo Roberto Costa e Pedro José Barusco.

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