Pimco reduz investimentos em ativos arriscados com temor sobre economia

Segundo gestor, fundo tem focado no corte de sua exposição a bônus vendidos por instituições financeiras na Europa 

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

29 de setembro de 2011 | 12h10

NOVA YORK - A Pacific Investment Management (Pimco), que administra o maior fundo de bônus do mundo, está reduzindo a exposição a ativos mais arriscados e se movimentando para investimentos de alta qualidade, num sinal de suas crescentes preocupações sobre a perspectiva econômica mundial.

Na sua previsão trimestral mais recente, Saumil Parikh, um gestor sênior do portfólio e membro do comitê de investimentos da Pimco, afirmou que a empresa tem centrado foco no corte de sua exposição a bônus vendidos por instituições financeiras na Europa, reduzindo sua exposição a ações em mercados desenvolvidos e a mercados cambiais que foram afetados pela alta volatilidade neste mês.

A principal estratégia durante os próximos 6 e 12 meses é direcionada a ativos de alta qualidade. Parikh afirmou que a companhia é favorável a dívidas soberanas e corporativa de mercados emergentes fortes, bem como aos bônus municipais e hipotecas emitidas por agências ou não dos EUA.

"Tendo em vista nossa perspectiva de um crescimento global lento e recessão na Europa, nós estamos centrando foco na proteção de portfólios contra riscos de queda", afirmou Parikh.

A Pimco administra cerca de US$ 1 trilhão em ativos globais e é uma das maiores gestora de ativos do mundo. O fundador e co-presidente da companhia, Bill Gross, é um dos investidores de bônus mais influentes, cujas opiniões sobre a economia e investimentos são observadas largamente por investidores mundiais e formuladores de políticas públicas.

Como muitos investidores, os gestores de fundos da Pimco têm reduzido sua perspectiva para a economia mundial que tem sido afetada pela contínua incerteza com a crise da dívida soberana europeia. As bolsas mundiais, commodities, dívida de mercados emergentes e moedas recuaram neste mês à medida que os investidores correram para a segurança dos Treasuries, dos bônus alemães (bunds) e do dólar.

As esperanças sobre uma a solução ousada para encerrar a crise da zona do euro impulsionaram um rali de dois dias nas bolsas. Mas a euforia desapareceu na quarta-feira, com os ativos arriscados registrando quedas acentuadas, enquanto os formuladores de políticas públicas europeus estão divididos sobre as medidas para lidar com os problemas fiscais na Grécia e em outros países da periferia da Europa.

"Nós estamos particularmente preocupados sobre a falta de liderança e coordenação na Europa e o risco de um processo de desalavancagem desordenada", afirmou Parikh. "Nós achamos que a economia europeia registrará contração de 1% a 0,5% em termos reais, com risco de queda significativa que tem implicações negativas para a economia mundial.

Além de prever uma recessão para a Europa durante os próximos 12 e 18 meses, Parikh também afirmou que espera que as economias dos EUA e do Reino Unido terão um crescimento apenas ajustado à inflação, com o Produto Interno Bruto (PIB) dos dois países registrando expansão de entre zero e 0,5%.

Ele também prevê uma taxa de crescimento para a economia mundial, após ajuste à inflação, de 1% a 1,5% durante os próximos 12 e 18 meses. A desaceleração do crescimento aumentará as pressões inflacionárias, destacou, prevendo que a inflação mundial, atualmente em cerca de 3% a 3,5%, recuará para entre 2% e 2,5% nós próximos 12 meses.

Ainda assim, Parikh está esperançoso de que a zona euro não deverá quebrar. A zona do euro irá se tornar uma "união mais forte, embora possivelmente menor", envolvendo não apenas a moeda e a união política monetária, mas também uma real união fiscal, disse ele. As informações são da Dow Jones.

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