Pinguelli: País tem meios de economizar 15% de energia

O governo pode conseguir, em um ano, uma economia de energia equivalente a algo entre 10% e 15% da potência média do País apenas por meio de medidas para aumentar a eficiência no uso da energia elétrica. A avaliação foi feita hoje pelo professor Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobrás e diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pinguelli vem defendendo há meses a tese de que o País deveria ter um amplo programa de combate ao desperdício de energia. Ele chegou a enviar uma carta ao ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, em novembro passado com essa proposta.Nos últimos dias, porém, esse debate esquentou. Com os reservatórios das hidrelétricas em baixa e os conhecidos problemas de escassez de gás natural no mercado, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, defendeu na semana passada o início de uma campanha de racionalização do uso da energia.Pinguelli explica que não defende o início de uma campanha para simplesmente estimular a redução do consumo de energia. "Não estou sugerindo que se restrinja o uso de energia. Minha proposta é pela eficiência. Deveria ser criado um programa para incentivar a troca de equipamentos antigos - como lâmpadas, chuveiros ou máquinas - que gastam muita energia por modelos mais eficientes", disse. A potência média do País é de cerca de 60 mil megawatts médios. Assim, uma economia de 10%, por exemplo, seria algo equivalente a 6 mil MW médios. Pinguelli lembra, entretanto, que a redução líquida do consumo seria menor, já que, com o crescimento da economia, a demanda por energia elétrica deve aumentar em cerca de 5% neste ano.O pesquisador destacou que essas medidas teriam efeito em apenas um ano. Se, por um lado, isso não representa um grande alívio para a situação atual, pode dar ao país uma folga para o ano que vem. Segundo ele, essa economia de energia poderia ajudar os reservatórios das hidrelétricas a não perderem ainda mais água ao longo deste ano. Assim, as usinas poderiam entrar em 2009 com uma capacidade de geração mais segura. O também consultor Euclides Scalco, ex-presidente de Itaipu e ex-coordenador do programa emergencial de controle de consumo da Câmara de Gestão da Crise de Energia, disse que também é favorável ao início de um programa de racionalização do uso da energia. "A posição de Kelman está correta. O governo deveria iniciar uma campanha publicitária para incentivar a economia de energia nas casas, nos escritórios e nas indústrias", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.