Pinguelli vê erro em MP de redução de custo da energia

O professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, instituto de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avaliou nesta terça-feira que o governo "não está fazendo da maneira correta" a redução da tarifa de energia e a renovação de concessões. Embora considere importante a iniciativa de buscar reduzir a tarifa - "que vem crescendo acima da inflação nos últimos anos" - ele avalia que as regras definidas pela Medida Provisória 579 para a renovação das concessões podem afetar o desenvolvimento tecnológico futuro, em especial aquele ligado à hidreletricidade.

LUCIANA COLLET, Agencia Estado

25 de setembro de 2012 | 11h57

"Da maneira como o governo está fazendo, pode acabar com a tecnologia que resta em algumas hidrelétricas brasileiras", comentou, durante apresentação no 26º Café com Sustentabilidade, que discute o tema "Energias Renováveis".

Pinguelli citou Furnas, Chesf e Cemig como empresas que possuem grande competência tecnológica e mostrou preocupação com a possibilidade de elas desenvolverem planos de demissão voluntária (PDV) como resposta à redução da receita proveniente das usinas amortizadas. "É preciso ter cuidado para não cortar a parte nobre dessas empresas, que é a engenharia", disse, lembrando que o País é pobre em desenvolvimento de tecnologia, inclusive em novos segmentos de geração energia, como o eólico, no qual não há companhias nacionais de equipamentos.

Segundo ele, a tendência é que, com os PDVs, os profissionais com maior competência saiam das empresas. "Foi o que aconteceu com as privatizações", disse. Ele ressaltou, ainda, que as privatizações inauguraram o modelo hoje em vigor, em que a receita não é pelo custo de operação e manutenção, mas por preços de mercado, que incorporam remuneração ao investidor.

"A ideia parece ser voltar à filosofia de receita pelo custo, mas tem que se pensar como essa remuneração está sendo feita, isso pode prejudicar o investimento", acrescentou Pinguelli, que destacou que o País atualmente não possui problemas de expansão da capacidade de geração e "avançou muito" na expansão da transmissão, mas que enfrentará a precarização da confiabilidade da geração, tendo em vista a construção de usinas sem reservatórios.

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