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Piora da China pode aumentar contágio para a economia mundial, diz relatório do FMI

Desaceleração do gigante asiático em 2016 pode afetar o mundo via comércio, queda dos preços das commodities e no nível de confiança dos agentes

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2016 | 09h08

NOVA YORK - Uma desaceleração mais forte que o esperado da China em 2016 pode trazer mais volatilidade e aumentar o contágio para o resto da economia mundial, via comércio, queda dos preços das commodities e piora do nível de confiança dos agentes, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira.

No geral, a desaceleração da China até agora tem se dado de forma como esperado, afirma o relatório do FMI. Mas nem tudo tem ocorrido como previsto e os economistas ressaltam que as exportações e importações chinesas têm caído mais que o previsto, em parte refletindo a piora da atividade econômica e da indústria chinesa.

"Estes desenvolvimentos, em conjunto com preocupações do mercado financeiro sobre o desempenho futuro da economia chinesa, está tendo repercussões para outras economias através de canais de comércio e preços de commodities mais fracos, bem como através de queda da confiança e do aumento da volatilidade nos preços dos ativos", afirma o documento. Uma desaceleração mais forte do país asiático pode amplificar estes movimentos, ressalta o texto.

"Tem muito incerteza lá fora. Temos que nos preparar para uma jornada com solavancos este ano, especialmente para os países emergentes", afirma o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, em um vídeo divulgado pela instituição. Além das bolsas e preços das commodities, os rumos da economia da China podem ter impacto nas moedas de diversos países, afirma o FMI.

O FMI projeta que o crescimento da China vai continuar a desacelerar este ano, refletindo a queda do investimento, na medida em que Pequim tenta mudar o modelo de expansão do país, tornando a atividade mais dependente do consumo doméstico. Em 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 6,9%, número que deve se desacelerar para 6,3% este ano e 6% em 2017. Para o FMI, essa transição é "necessária".

Por conta da China crescendo menos e outras economias importantes também como ritmo de atividade mais fraca, o FMI reduziu a previsão de expansão do comércio internacional em 2016 e 2017. Para este ano, a previsão é de expansão de 3,4%, abaixo dos 4,1% estimados em outubro, quando o Fundo divulgou seu último relatório de previsões. Em 2017, a alta deve ficar em 4,1%, também menor que os 4,6% estimados anteriormente.

Aversão ao risco. Um aumento rápido da aversão ao risco dos investidores internacionais pode prejudicar os países emergentes mais vulneráveis, afirma o FMI. O texto ressalta ainda que outra fonte de preocupação são as empresas de emergentes que aumentaram a dívida em moeda estrangeira. Em um momento de valorização internacional do dólar e alta de juros nos Estados Unidos, o cenário para estas companhias fica ainda mais desafiador. 

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