Piora das contas externas deve pressionar o câmbio

Os números do setor externo divulgados pelo Banco Central confirmam um cenário de deterioração do déficit em transações correntes sem a contrapartida de um crescimento na mesma velocidade do Investimento Estrangeiro Direto (IED), avalia a economista-chefe do ING Bank, Zeina Latif. "Não acho que haja um perigo de disparada de um forte movimento cambial, mas esse cenário impõe limites à trajetória de valorização do real, independentemente do quadro externo", acredita Zeina.

Nalu Fernandes e Cristina Canas, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

A analista lembrou que a conta corrente e o IED vinham apresentando números compatíveis até o fim do ano passado. O descolamento gera, segundo ela, uma situação "sem dúvida menos confortável".

"O primeiro motivo é que a economia aqui está crescendo mais do que no resto do mundo", avalia Zeina, que trabalha com projeção de crescimento em torno de 3% para o PIB mundial este ano e de mais de 8% para a demanda doméstica brasileira. Esse descompasso em favor do Brasil justifica, por exemplo, pioras em itens de consumo, como gastos com viagens, e também nas remessas de lucros e remuneração de dividendos. /

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