Piora do crédito em janeiro foi mais que sazonal

Os juros subiram, a inadimplência aumentou e caiu a proporção entre o estoque das operações de financiamento e o Produto Interno Bruto (PIB)

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2019 | 05h00

Caíram expressivamente, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, tanto as concessões de crédito (-15%) como o saldo total dos empréstimos (-0,9%). Trata-se de uma consequência da sazonalidade, pois a demanda de crédito tende a diminuir nos inícios de ano, mas cabe observar que outros fatores negativos foram constatados nas Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC). 

Os juros subiram, a inadimplência aumentou e caiu a proporção entre o estoque das operações de financiamento e o Produto Interno Bruto (PIB), de 47,4% em dezembro para 46,8% em janeiro. Por esse critério, o crédito ficou praticamente estagnado entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019. Entre o último mês de 2018 e o primeiro mês de 2019 houve queda dos saldos totais de crédito de R$ 3,26 trilhões para R$ 3,23 trilhões. 

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, deu várias explicações para justificar os resultados fracos de janeiro. O saldo dos empréstimos em moeda externa, por exemplo, diminuiu por conta da apreciação cambial, ao mesmo tempo que as operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) caíam 2,1%. 

Os juros médios das operações de crédito livre aumentaram de 35,6% ao ano em dezembro para 37,7% em janeiro, influenciados, entre outros motivos, pelo avanço do custo do cheque especial. Uma única instituição, segundo o BC, elevou as taxas do cheque especial e ajudou a elevar o juro médio da operação. Este é um indício do grau de concentração do sistema bancário.

No crédito livre, o spread (diferença entre o juro pago ao aplicador e o juro cobrado do devedor) aumentou entre dezembro e janeiro de 40,7 para 43,5 pontos porcentuais nas operações com pessoas físicas. É evidência de que os bancos, em geral, mantêm uma política de aperto creditício. A elevação da taxa de inadimplência nas operações de crédito livre de 3,8% em dezembro para 4% em janeiro, provocada por mais atrasos das empresas, serve aos bancos como justificativa para o alto custo do crédito.

Juros altos desestimulam a atividade econômica, impedindo que os trabalhadores se endividem para poder consumir. O resultado são dificuldades exibidas pela inadimplência de muitas empresas, retardando a retomada da atividade. 

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