Piora externa faz Bovespa abandonar o nível de 59 mil pontos

Cenário:

ALESSANDRA TARABORELLI , O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h07

A Bovespa sofreu com o pessimismo emanado dos mercados internacionais ontem e não teve forças para sustentar os 59 mil pontos. O dia já começou ruim com o maior recuo em nove meses do indicador preliminar de atividade industrial na China, medido pelo HSBC, e ficou ainda pior com a fraqueza de dado semelhante na Alemanha, que tocou o patamar mais baixo desde junho de 2009. Além disso, o crescimento acima do esperado das vendas de moradias novas nos Estados Unidos em julho teve como contraponto a alta do número semanal de pedidos de auxílio-desemprego. Por fim, o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, ainda que sem direito a voto nas decisões de política monetária, disse não ter certeza se a situação da economia norte-americana justifica uma nova rodada de afrouxamento quantitativo (QE3, na sigla em inglês), minando parte das esperanças alimentadas na quarta-feira pelo conteúdo da ata da última reunião do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA. No documento, os membros do comitê consideraram que novas medidas de estímulo seriam justificáveis em breve. Mas, para Bullard, a ata já está "um pouco passada". Nesse ambiente, as bolsas de valores europeias e norte-americanas, assim como as commodities, tiveram perdas.

No mercado doméstico, o Ibovespa replicou o movimento e caiu 1,46%, aos 58.511,55 pontos. Os ganhos do índice acionário são de 4,30% no mês e de 3,10% no ano. Também ficaram no vermelho as ações da Vale e da Petrobrás. O papel ON da mineradora caiu 3,88%, enquanto o PNA recuou 3,17%, puxados pela queda das cotações do minério de ferro. Petrobras ON caiu 1,12% e a PN, 0,98%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. Em Nova York, o contrato com vencimento em outubro registrou declínio de 1,02%, a US$ 96,27 o barril.

A aversão ao risco, porém, impôs ganhos ao dólar ante boa parte das demais moedas, incluindo o real. No mercado à vista de balcão, a divisa dos EUA subiu 0,20%, a R$ 2,0240, facilitando, por ora, o objetivo do Banco Central de sustentar a taxa de câmbio acima do piso informal de R$ 2,00.

No mercado de juros, a divulgação incompleta dos dados de emprego de julho, devido à greve de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deixou os investidores sem nova referência para alterar apostas sobre a condução da política monetária brasileira e as taxas futuras acabaram perto da estabilidade.

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