Piora fiscal no Brasil precisa ser resolvida, afirma Fitch

Agência de classificação de risco de crédito avalia que o País precisa preservar sua credibilidade fiscal

Marcílio Souza, da Agência Estado,

03 de setembro de 2009 | 15h47

O Brasil vai precisar dar início a um processo de consolidação fiscal, à medida que uma esperada recuperação econômica começa a se concretizar, com o objetivo de preservar sua credibilidade fiscal, afirmou a agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings nesta quinta-feira, 3.

 

"O grau de deterioração das finanças públicas do Brasil fica bastante evidente quando se compara o resultado fiscal dos primeiros sete meses deste ano com o de igual período do ano passado. O superávit primário do governo central caiu 60% nos primeiros sete meses de 2009 ante igual intervalo de 2008, como resultado do ritmo acelerado de crescimento do gasto e do fraco desempenho da receita", disse a Fitch em comunicado.

 

"A estrutura do gasto público do Brasil está se deteriorando, já que uma parte significativa do aumento está relacionada com benefícios de aposentadoria e pagamento de pessoal, o que será mais difícil de ajustar no futuro e não pode ser classificado como estritamente 'anticíclico por natureza'", disse a diretora sênior do grupo soberano da Fitch, Shelly Shetty.

 

O comunicado destaca que do lado positivo está o fato de que a escala do pacote de estímulo anticíclico do Brasil é modesta para os padrões internacionais e que a deterioração prevista do equilíbrio fiscal do país é de certa forma menor que a de outras economias com rating semelhante. "A Fitch reconhece que o Brasil tem um bom histórico de cumprimento e superação de metas fiscais, mesmo quando as condições econômicas são difíceis, como em 2002 e 2003", afirma o comunicado. "Entretanto, o forte aumento do gasto observado até agora em 2009 precisa ser controlado pelas autoridades para que se atinja até mesmo a meta de superávit primário reduzida para este ano (2,5%) e, mais importante do que isso, para que se volte para a meta de superávit primário mais alta de 3,3% para 2010, como fixado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias", afirmou a Fitch.

 

"Embora as finanças externas do Brasil sigam fortes e o país tenha enfrentado a crise financeira relativamente bem, o quadro de deterioração fiscal pode prejudicar o momento de melhoria da trajetória de crédito do Brasil. Além disso, a piora persistente e significativa das finanças públicas e da evolução da dívida podem minar a credibilidade fiscal, elevar o prêmio de risco e impactar negativamente o investimento e as perspectivas de crescimento, o que, por sua vez, poderia pesar sobre a capacidade de crédito do Brasil", afirma o comunicado.

 

A Fitch atribui o rating de longo prazo de BBB- (grau de investimento) ao Brasil, com perspectiva estável. As informações são da Dow Jones.

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