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Resultados negativos da economia brasileira podem se aprofundar no quarto trimestre

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2015 | 21h00

Ainda não há indícios consistentes de que a atividade econômica tenha piorado tudo quanto tinha de piorar.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador cujo objetivo é antecipar o que as Contas Nacionais (as do PIB) vão mostrar só três ou quatro meses depois, apontou em setembro um recuo de 0,50% em relação a agosto, já descontados aí os fatores sazonais, ou seja, descontado tudo aquilo que atua apenas temporariamente na criação de renda, como safras, chuvas, férias escolares, vendas de fim de ano, e que, de alguma maneira, poderia distorcer resultados. Com isso, em 12 meses, o recuo da atividade econômica chega aos 2,73% e, no ano (até setembro), aos 3,37%.

Isso sugere que, no quarto trimestre, os resultados negativos devam se aprofundar. Dá para avançar daí três consequências. A primeira é a de que o desemprego deve aumentar, provavelmente para acima dos 10% da força de trabalho. Este, por si só, poderá ser fator de tensões políticas, no sentido de que a sociedade tende a pressionar por resultados imediatos.

A segunda consequência da piora das condições da atividade econômica é a de que aumenta o arrasto, também negativo, para 2016: é o ano começando em marcha a ré, situação que dificulta ainda mais a retomada.

E a terceira consequência atinge em cheio as contas públicas, o setor mais vulnerável da economia brasileira. Um PIB nessas condições terá impacto negativo também sobre a arrecadação dos governos (federal, dos Estados e dos municípios). Menos renda, menos consumo, mais desemprego e menos produção é déficit público na veia e ao que a ele se segue.

Esse filme poderia ser rodado com cenas mais animadoras se o ajuste fiscal estivesse sendo encaminhado. Mas não está, porque o governo Dilma teme cortar ainda mais despesas às vésperas das eleições de 2016, cujos desdobramentos políticos avançarão até 2018. Este é um cálculo equivocado porque não é o ajuste que derruba a economia; é a falta de ajuste. Bastaria que as decisões fossem firmes para que a confiança se restabelecesse e, com ela, boa parte dos investimentos. 

O governo Dilma continua paralisado pelo fogo amigo do próprio PT que tem diagnóstico errado da crise econômica e continua pressionando por soluções incompatíveis, em direção ao modelo fracassado da Nova Matriz Macroeconômica.

O aprofundamento do rombo fiscal e o aumento da inflação nada mais são do que a combinação encontrada pelas forças econômicas do sistema para produzirem o ajuste, pelo aumento da dívida, pelo aumento de preços e pela queda da renda.

Em outras palavras, o serviço que não é realizado por meio de decisões adequadas de política econômica acaba acontecendo darwinianamente. Quem mais perde com essa situação é o produtor nacional e, obviamente, o trabalhador, que vai sendo expropriado pela perda de renda, pela queda do padrão de consumo e pelo aumento de impostos.

CONFIRA

Apesar da crise, as cotações do dólar no câmbio interno seguem sem grandes oscilações nos últimos dias (veja no gráfico acima).

É para dezembro

A ata da última reunião do Fed (o banco central dos EUA), ontem divulgada, confirma que a disposição de seus governadores é mesmo de iniciar o processo de alta da taxa de juros já em dezembro. Apenas um fato novo de relevância, como o aumento do desemprego, poderia reverter esse processo. Mas, ao contrário do que se pensava, o mercado já não aposta em forte alta do dólar.

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