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Piorou, mas nem tanto

A queda do PIB menor do que a esperada neste primeiro trimestre deverá reforçar as apostas de que a recuperação desta crise poderá chegar antes do que se previa

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 21h00

Não foi tão ruim como os mais pessimistas esperavam, mas a queda da atividade econômica continua. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,3% no primeiro trimestre de 2016 em relação ao último trimestre de 2015 e 5,4% se a base de comparação for o primeiro trimestre do ano passado.

PIB é o mesmo que renda; é o valor da produção, descontada a inflação, num determinado período. Dividido pela população, corresponde à renda per capita, ou seja, à renda média do brasileiro.

Pode ser medido de dois jeitos, ou pelo lado da oferta ou pelo lado da procura. Medido pelo lado da oferta, o PIB mostra como foi a produção de cada setor. Medido pelo lado da procura (ou demanda), avalia o consumo das famílias, consumo do governo, o investimento e o comércio exterior.

Os setores de mais baixo desempenho no primeiro trimestre deste ano foram mineração, construção civil e comércio. Pelo lado da demanda, o melhor desempenho foi das exportações (mais 6,5%), não tanto pela quantidade exportada, mas pelo aumento do seu valor em reais, graças à alta do dólar. Coerente com esse dado foi a renda gerada pelas importações, que recuou 5,6%. 

O tamanho do estrago é mais bem avaliado quando se compara o primeiro trimestre de 2016 com o primeiro de 2015. A indústria de transformação mergulhou 10,5%; o comércio, 10,7%. Até a agropecuária, a campeã mesmo em tempos de dureza, recuou 3,7%.

O consumo das famílias despencou 6,3% e impactou negativamente o comércio e o setor de serviços. O dado mais acachapante é a despencada dos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), que caíram 17,5%. De 2010 a 2014, o investimento equivalia a mais de 20% do PIB, mas, ainda assim, foi volume insuficiente para garantir um crescimento de mais de 3% ao ano. No ano passado, já havia dado marcha à ré para 17,7% do PIB, nível em que deve estar também agora. Esses dados são preocupantes porque indicam redução do crescimento potencial: quem deixa de investir produzirá menos mais à frente.

A queda do PIB menor do que a esperada neste primeiro trimestre deverá reforçar as apostas de que a recuperação desta crise, a maior desde os anos 30, poderá chegar antes do que se previa, provavelmente ainda neste ano. É fator que reduz o efeito do puxão para trás, o arrasto negativo para o segundo semestre.

Mas a recuperação já à vista é apenas uma boa aposta. Na última edição da Pesquisa Focus, feita pelo Banco Central, a expectativa média é de uma queda do PIB neste ano de 3,8%. O próprio governo também vem trabalhando com esse número.

Hoje há duas forças opostas quando se pretende garantir melhor resultado. A força positiva é a substancial melhora da balança comercial (veja o Confira) que, por sua vez, vem ajudando a virada nas contas externas. O fator negativo é a desordem das contas públicas - sempre ela - que vem atrasando a recuperação e o aumento do emprego.

CONFIRA:

Aí está a evolução da balança comercial nos 12 últimos meses.

 Reforço

O desempenho das exportações em maio foi excelente. Garantiu saldo positivo no comércio exterior de US$ 6,4 bilhões e reforça a expectativa de que para o ano todo o superávit fique ao redor dos US$ 55 bilhões. Em boa parte, esse resultado é consequência da desvalorização do real (alta do dólar), que garantiu mais receitas. A novidade é a forte alta das commodities agrícolas, especialmente soja, milho e açúcar, que deverá estimular o plantio na próxima primavera.

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