Piquetes barram acesso a Buenos Aires por duas horas

Pela segunda semana consecutiva, Buenos Aires esteve isolada por grupos de "piqueteiros", que bloquearam ruas, avenidas e os principais acessos à capital argentina por mais de duas horas. O coordenador do Movimento Bairros em Pé, Roberto Baigorria, disse que os protestos são para reivindicar a participação nos planos sociais e de cooperativas do governo. Ele argumentou que a situação "está complicada devido ao aumento dos preços e à deterioração social que ocorre no país". É a primeira vez, desde a crise de 2001, que os movimentos de esquerda realizam piquetes no país. Paralelamente, vários militantes sindicais e trabalhadores realizam piquetes para pedir a manutenção de seus postos de trabalho ou para melhorar os salários.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

29 de setembro de 2009 | 14h45

O maior bloqueio foi realizado na autopista Panamericana, por onde circulam cerca de 700 mil automóveis por dia, localizada ao norte da chamada Grande Buenos Aires (municípios e distritos ao redor da capital), na altura da fábrica de alimentos de capital norte-americano Kraft Foods. Há um mês, a empresa decidiu demitir 86 empregados e dar férias coletivas para outros 36. Os trabalhadores decidiram protestar contra a decisão por meio de piquetes na porta da fábrica, impedindo a entrada dos demais empregados e bloqueando a autopista.

O presidente da União Industrial da Argentina (UIA), Héctor Méndez, manifestou hoje "preocupação e temor" pelos conflitos sociais e trabalhistas. "Manifestamos nossa preocupação ao governo, que disse entender a situação e prometeu tentar resolvê-la", disse Méndez à rádio 10. O empresário reconheceu a existência de "uma enorme tensão nas ruas, com pessoas irritadas e bloqueios das vias". Segundo ele, os conflitos atuais "não fazem bem a ninguém, exceto aos grupos radicais".

O diretor de Políticas Sociais da UIA, Daniel Funes de Rioja, explicou que "o preocupante no conflito trabalhista é quando a metodologia já não é trabalhista, quando produz uma ruptura da ordem, por piquetes e outros atos que interferem nos direitos de outros". Os protestos na Kraft Foods provocaram a intervenção diplomática da Embaixada dos Estados Unidos, que pediu "uma solução duradoura para o conflito". Uma nota oficial da embaixada afirma que a companhia adota uma política "alinhada com o desejo de promover investimentos norte-americanos no país, que proporcionam bons postos de trabalho para 155 mil argentinos".

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