Piquetes na Argentina serão restritos a grãos

Os protestos que os ruralistas argentinos pretendem manter no país serão restritos aos caminhões carregados com grãos. Os piquetes vão continuar pelo menos até a próxima quarta-feira, mas poderiam se estender mais em caso de que o governo não abra o diálogo com o setor para discutir as medidas anunciadas hoje pelo ministro de Economia, Martín Lousteau. A objeção central dos dirigentes das entidades ruralistas é de que a política geral agropecuária precisa de uma revisão e que não existe confiança por parte dos agricultores de que o governo vai cumprir com a devolução dos pagamentos dos impostos de exportações, as retenções."Não cumpriram com as compensações aos leiteiros e com muitos outros produtores, e não confiamos que vão cumprir desta vez", afirmou um dos líder dos ruralistas, Alfredo DAngelis, de Gualeguaychu, da província Entre Rios, na rodovia do Mercosul. A recomendação das entidades é de que a partir de amanhã, os piquetes deixem passar todos os caminhões contendo alimentos, exceto os que estejam carregados com grãos. Também na província de Córdoba, os produtores decidiram hoje, em assembléia, pela continuidade dos protestos. Pela terceira vez, o discurso da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, causou mal estar entre a população e foi rejeitado pelos agricultores. A maioria não entendeu a mensagem da presidente. "Cristina está falando em bonaerense (da Província de Buenos Aires) e nós somos só chacareiros, não entendemos sua linguagem", disse um agricultor de Córdoba. Embora no interior a disposição seja de manter os piquetes e os protestos, as entidades em Buenos Aires pedem calma e serenidade, porém firmeza.

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