Pirataria dificulta negociações entre Brasil e Alca

O Brasil não consegue combater a pirataria e isso faz da propriedade intelectual um dos temas mais difíceis para o Brasil nas negociações para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), considera o chefe do departamento de Negociações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores, Regis Arslanian.Em seminário de comércio exterior que está sendo realizado na Bolsa do Rio, Arslanian alertou para a importância do tema. Disse que se o Brasil assinar um acordo internacional se comprometendo em combater a pirataria, o Canadá, por exemplo, pode acionar o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), queixando-se de que não está satisfeito com os resultados da política brasileira nisso."Se nós perdermos, eles podem nos retaliar e a retaliação não será em propriedade intelectual, pode ser em aviões, têxteis, calçados, suco de laranja...", disse Arslanian. Ele observou que a pirataria no País prejudica empresas e artistas brasileiros também, "mas não temos recursos técnicos e financeiros para combater a pirataria".Mercosul x União EuropéiaRepresentantes do Mercosul e da União Européia (UE)devem se reunir para retomar as negociações em torno do acordo entre os dois blocos em dezembro, após a troca de comissários europeus em 1o de novembro, disse Arslanian."Não se conseguiu fechar o acordo até 31 de outubro, mas há uma disposição enorme de negociar, tanto do nosso lado quanto do europeu", afirmou o diplomata.Ele disse que a oferta feita pelo Mercosul à UE foi a melhor já apresentada pelo bloco. "Nunca fizemos ofertas tão substanciais como fizemos para os europeus", disse. A Europa, porém, ofereceu cotas menores que o total de exportações atuais para a Europa em produtos como as carnes e, ainda por cima, divididas em 10 anos.

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