Pirataria virtual será o próximo desafio

Em poucos anos, cenas de apreensão de DVDs piratas por policiais nas ruas das grandes cidades prometem ser apenas uma lembrança. Isso não significa que a pirataria vai acabar, mas se modificar, acompanhando o desenvolvimento tecnológico.

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2010 | 00h00

"A pirataria está se transformando de física em virtual", diz o diretor executivo da Associação Antipirataria Cinema e Música, Antonio Borges Filho. Para o diretor da Associação Brasileira de Combate a Falsificação, Rodolpho Ramazzini. "A internet trouxe o criminoso internacional para dentro do País."

A migração da pirataria para o mundo virtual é uma tendência mundial, mas promete dar um salto no Brasil com a popularização da banda larga.

Segundo a APCM, a pirataria musical hoje ocorre praticamente na internet, e a audiovisual terá o mesmo destino, porque vai diminuir muito o tempo para se baixar um filme da internet.

O coordenador do grupo antipirataria da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), Antonio Eduardo Mendes, também relata que o número de CDs com softwares piratas apreendidos diminuiu porque os softwares falsificados são encontrados na internet.

"A web é um grande balcão de negócios para produtos falsificados", diz Luiz Claudio Garé, consultor jurídico do Grupo de Proteção a Marcas. Ele diz que a oferta de bens de consumo piratas deu um salto no País, porque é possível encomendar produto falso da China pela internet e receber pelo correio.

Upload. Os especialistas afirmam que a melhorar estratégia é atacar quem faz o "upload", ou seja coloca o produto pirata na internet, do que quem compra. E afirmam que os sites piratas também ganham dinheiro com banners. Na APCM e na Abes, um grupo de jovens chamado de "hackers do bem" passam o dia identificando sites que vendem produtos piratas e denunciando para a Justiça brasileira.

Mas parece ser uma batalha perdida. Segundo a Associação Brasileira de Combate a Falsificação (ABCF), 90% dos produtos pirateados na web são oferecidos em sites que não têm endereço ou registro no País, o que dificulta a punição.

"Com a banda larga, vai piorar. Mas toda a tecnologia pode ser utilizada para o bem ou para o mal. É inevitável", diz Garé.

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