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Pisca-alerta

Alguns indicadores sugerem que a economia mundial possa estar às vésperas de novas turbulências.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2016 | 03h00

O ritmo da criação de empregos nos Estados Unidos está abaixo do esperado, como sexta-feira se viu pelas estatísticas do Departamento do Trabalho. É mais um sintoma de fragilidade da atividade econômica.

A Europa está estagnada, a China, ameaçada de um pouso forçado. O Banco do Japão instituiu a novidade de uma política de juros negativa. Grandes bancos internacionais enfrentam ameaça de inadimplência de empresas do setor de petróleo. Há risco de “um multitrilhão” em calotes mundo afora, como informou The New York Times do dia 3. E os bancos centrais das maiores economias globais sofrem de súbita impotência.

Nos últimos dez anos foram inventadas ou colocadas em prática políticas destinadas a desempoçar recursos, impulsionar o crédito, criar empregos, salvar grandes bancos e grandes empresas do colapso. Houve o inédito despejo de moeda que veio a ser denominado, sucessivamente, afrouxamento quantitativo (quantitative easing), políticas de juros zero (zero interest rate policy) e políticas de juro negativas (negative deposit rates). Foi uma gigantesca emissão de moeda (US$ 3,5 trilhões só nos Estados Unidos) realizada por meio da recompra de títulos públicos e privados no mercado que, na prática, embaralhou a política fiscal e monetária e criou enorme mercado artificial para dívidas privadas.

Esta megaoperação, ainda não estancada, pode ter momentaneamente salvado do colapso a economia dos países maduros, mas ficou nisso. Não está contribuindo para a recuperação sustentável.

Essa injeção de moeda não produziu inflação, como advertem os manuais de Economia. Ao contrário, a demanda global segue raquítica, sujeita a desabamento. A ameaça com que se defrontam os grandes bancos centrais é de deflação, ou seja, de persistente queda de preços. A deflação produz ainda mais problemas do que a inflação porque leva o consumidor a adiar suas compras na medida em que espera preços mais baixos no futuro, aumenta o valor real das dívidas e enfraquece a arrecadação dos governos já entalados em problemas fiscais. Contribui para aumentar as tendências de deflação a acentuada queda dos preços do petróleo e das demais commodities.

Enfim, a percepção é a de que os bancos centrais foram além do que poderiam ir e agora já não têm mais instrumentos para lidar com o aprofundamento da recessão, se vier.

Apesar de tudo, este seria um excelente momento para o Brasil. Os administradores de capital estão sequiosos de oportunidades. Há um campo enorme para investimentos em infraestrutura, especialmente agora que a máquina da China vai enguiçando. No entanto, a economia brasileira está tremendamente desarrumada, enfrenta rombo monumental das contas públicas e uma dívida que ameaça sair do controle. Além disso, não tem regras confiáveis de jogo para leilões de concessão e rejeita as reformas.

E tem essa crise política que paira sobre tudo, sobre a definição de estratégias, sobre a tomada de decisões e sobre a administração da máquina pública.

CONFIRA

Olimpíada ameaçada?

A Sports Money, do Grupo Forbes, pediu dia 3 o cancelamento ou o adiamento dos Jogos Olímpicos no Rio agendados para agosto deste ano. Argumenta que não se pode expor tanta gente ao vírus zika, que é uma grave ameaça para a humanidade.

Melhor Chernobyl

Sexta-feira, o site Breibart News comprou a proposta da Forbes e acrescenta que é melhor mandar a família para Chernobyl do que para assistir ao lançamento do disco no Rio de Janeiro.

Explosão

A edição do jornal ‘O Globo’ da última sexta-feira foi suficientemente enfática: “Paralisia associada ao zika explode no Rio”. E acrescentou: “Só em janeiro hospital internou 16 pacientes com Guillain-Barré”, a síndrome neurológica causada pelo vírus zika.

Preju

Dá para imaginar o prejuízo se os Jogos Olímpicos forem cancelados: patrocínios de TV e de materiais esportivos, hotelaria, viagens aéreas, preparação dos atletas...

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