Leo Souza/Estadão - 16/11/2020
Pix por código QR; nova funcionalidade do Pix, Mecanismo Especial de Devolução entra em vigor nesta terça-feira, 16.  Leo Souza/Estadão - 16/11/2020

Pix completa um ano com nova funcionalidade para devolução em caso de fraude ou erro

Mecanismo que começa a funcionar nesta terça-feira deve agilizar o ressarcimento de valores ao usuário do sistema de pagamentos

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 12h17
Atualizado 16 de novembro de 2021 | 16h56

BRASÍLIA - O Pix, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central (BC), completou um ano nesta terça-feira, 16, com novas melhorias e promessas para o futuro. Entra em vigor hoje mecanismo que deve agilizar o ressarcimento ao usuário vítima de fraude ou de falha operacional das instituições financeiras.

No fim do mês, começam o Pix Saque e o Pix Troco, que permitirão os clientes fazer pagamentos por produtos e serviços e receber troco ou fazer saques nas redes varejistas credenciadas. Para o médio prazo, estão previstas a possibilidade de pagamentos instantâneos de compras em outros países.

“O Pix ainda não atingiu todo o seu potencial”, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento de comemoração acrescentando que é preciso adaptação do sistema de empresas. “Há novas funcionalidades previstas para os próximos anos, como pagamento off-line”, afirmou, citando também que, no médio prazo, o Pix deve ser interligado a sistemas de pagamentos de outros países.

O mecanismo de segurança que entrou em funcionamento hoje foi anunciado em junho, mas, desde então, as instituições financeiras estavam se adaptando aos procedimentos. 

Até agora, em uma eventual fraude ou falha operacional, as instituições envolvidas precisavam estabelecer procedimentos operacionais bilaterais para devolver o dinheiro. Segundo o BC, isso dificultava o processo e aumentava o tempo necessário para que o caso fosse analisado e finalizado. Com a nova ferramenta, as regras e os procedimentos serão padronizados.

No Pix Saque, o cliente poderá fazer saques em qualquer ponto que ofertar o serviço, como estabelecimentos comerciais e caixas eletrônicos, tanto em terminais compartilhados quanto da própria instituição financeira. Nessa modalidade, o correntista apontará a câmera do celular para um código QR (versão avançada do código de barras), fará um Pix para o estabelecimento ou para a instituição financeira e retirará o dinheiro na boca do caixa.

O Pix Troco permite o saque durante o pagamento de uma compra. O cliente fará um Pix equivalente à soma da compra e do saque e receberá a diferença como troco em espécie. O extrato do cliente especificará a parcela destinada à compra e a quantia sacada como troco.

Até o fim de outubro, segundo os dados mais recentes do BC, o Pix tinha 348,1 milhões de chaves cadastradas por 112,65 milhões de usuários. Desse total, 105,24 milhões são pessoas físicas e 7,41, pessoas jurídicas. Cada pessoa física pode cadastrar até cinco chaves Pix e cada pessoa jurídica, até 20. As chaves podem ser distribuídas em um ou mais bancos.

Em um ano de funcionamento, o volume de transações pelo Pix deu um salto. Em outubro, o sistema de pagamentos movimentou quase R$ 583,5 bilhões contra R$ 25,1 bilhões em novembro do ano passado. Segundo o Banco Central, 75% das transações do Pix em outubro ocorreram entre pessoas físicas, contra 87% no primeiro mês de funcionamento. Os pagamentos de pessoa física para empresa saltaram de 5% para 16% no mesmo período. Como mostrou o Estadão, com o Pix em funcionamento, R$ 40 bilhões em dinheiro em espécie saíram de circulação este ano.

“A realidade superou as expectativas. O uso do Pix aumenta mês após mês. A velocidade de adoção é a mais rápida do mundo”, disse, destacando que o sistema também já superou meios de pagamento tradicionais, como TED, DOC e Boleto, em número de transações.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello, avaliou que o PIX também possibilitou inclusão financeira da população de baixa renda no sistema financeiro.

Segundo ele, 45,6 milhões de pessoas, que até então não tinha utilizado TED nos doze meses anteriores, realizaram ao menos uma vez o PIX no último ano.

​Segurança 

O Pix completa um ano em meio a preocupações com a segurança do sistema. Por causa do aumento de sequestros relâmpago e de fraudes relacionadas ao Pix, o BC limitou, em outubro, as transferências a R$ 1 mil entre 20h e 6h. Medidas adicionais de segurança foram adotadas, como o bloqueio, por até 72 horas, do recebimento de recursos por pessoas físicas em caso de suspeita de fraude.

Em setembro, ocorreu o incidente mais sério com o Pix registrado até agora. Uma brecha de segurança no Banco Estadual de Sergipe permitiu o vazamento de 395 mil chaves Pix do tipo telefone. Na ocasião, não foram expostos dados sensíveis, como senhas, valores movimentados e saldos nas contas, mas os números de telefone de clientes capturados por pessoas de fora da instituição, que foi punida pelo BC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Campos Neto: Realidade superou expectativas e uso do Pix aumenta mês após mês

Em evento para marcar um ano de funcionamento do sistema de pagamentos, presidente do BC diz que ferramenta ajudou na inclusão financeira e que ainda não atingiu todo o seu potencial

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 16h23

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira, 16, que o Pix superou todas as expectativas no primeiro ano de sua existência. Ele lembrou que, na época do lançamento do Pix, disse que o novo sistema de pagamentos instantâneos transformaria o sistema de pagamentos brasileiro.

“A realidade superou as expectativas. O uso do Pix aumenta mês após mês. A velocidade de adoção é a mais rápida do mundo”, disse, destacando que o sistema também já superou meios de pagamento tradicionais, como TED, DOC e boleto, em número de transações.

Além disso, o presidente do BC destacou que o Pix é importante vetor de inclusão financeira e foi especialmente relevante durante a pandemia de covid-19.

Campos Neto citou ainda as melhorias do Pix, como cobrança com vencimento e os novos mecanismos de segurança, e as novas funcionalidades que estão por vir, como o Pix Saque e o Pix Troco, que vão entrar em vigor no próximo dia 29.

“O Pix ainda não atingiu todo o seu potencial, como o uso de QR Code”, disse, acrescentando que é preciso adaptação do sistema de empresas. “Há novas funcionalidades previstas para os próximos anos, como pagamento offline”, afirmou em vídeo gravado e apresentado no evento (R)evolução Pix, em comemoração de um ano do sistema de pagamentos.

Inclusão digital

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, João Manoel Pinho de Mello, destacou o papel de inclusão financeira do sistema de pagamentos instantâneos.

Segundo ele, 45,6 milhões de pessoas foram incluídas no universo de meios de pagamento digitais com o Pix. É o contingente de pessoas que não havia feito TED nos 12 meses anteriores ao lançamento do Pix e que realizou ao menos um pagamento por meio da nova ferramenta.

O diretor do BC ressaltou ainda que o crescimento do Pix é maior proporcionalmente entre as classes mais baixas. Em todas as segmentações de renda, houve avanço de 52% dos usuários de março a outubro, enquanto houve aumento de 131% dos usuários na baixa renda que fizeram um Pix, na ponta pagadora.

Outro dado citado por Pinho de Mello sobre a inclusão financeira do Pix foi o contingente de pessoas que usam o sistema no Cadastro Único (35%) e no Bolsa Família (25%). “É inclusão na veia.” 

Segundo o diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, Mauricio Moura, o Pix é uma política pública. “O objetivo do BC não é fazer o IPO do Pix, abrir o capital na Bolsa, é uma política pública de eficiência e inclusão para todos os brasileiros.”

De maneira geral, 104,4 milhões de pessoas já fizeram Pix, ou 62,4% da população adulta no Brasil. “É um número quase sem precedentes. É sem precedentes para o primeiro ano”, disse Pinho de Mello.

Pinho de Mello também destacou que há menor concentração no Pix ante cartões pré-pago ou de débito, tanto em volume quanto em quantidade. Na quantidade de transações, os grandes bancos representam 61,4% no mercado Pix e 68,1% de cartão pré-pago e débito.

Hoje, o Pix representa 72% das operações de transferência, superando TED, DOC e Boleto. Ante os meios de pagamento de compra, o Pix ultrapassou as transações com cartão pré-pago e tem diminuído a diferença para débito e crédito. “O BC incentiva todos os meios de pagamento digital”, disse Pinho de Mello.

Uso entre empresas

Em relação às empresas, Pinho de Mello afirmou que mais de 7 milhões já fizeram Pix, seja pagamento ou recebimento, quase 55% do universo que tem algum relacionamento com o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Entre os setores, o comércio é o que tem maior participação em recebimento do sistema de pagamentos instantâneos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.