SHANA via AP
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Planalto acompanha greve dos petroleiros, mas sinais são de que paralisação está enfraquecida

O TST autorizou a Petrobrás a suspender repasses de verbas à Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a sindicatos que tenham descumprido decisão da Justiça que impedia o início de uma greve

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 21h30

BRASÍLIA - A greve dos petroleiros está sendo acompanhada de perto pelo Palácio do Planalto e, em particular, pelo núcleo militar do governo. Há uma preocupação com a possibilidade de os petroleiros que entraram em greve de cinco dias na última segunda-feira, se unirem aos caminhoneiros, que ainda se debatem com intermináveis discussões sobre a tabela de fretes rodoviários. 

As duas categorias estiveram juntas na paralisação de maio do ano passado, que causou uma crise de abastecimento no País. Mas a avaliação no Planalto é a de que este momento é diferente e a união de forças não se repetirá porque as categorias estão muito divididas, com pouco dinheiro em caixa e ainda com ameaça de bloqueio de contas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O TST autorizou a Petrobrás a suspender repasses de verbas à Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a sindicatos que tenham descumprido decisão da Justiça que impedia o início de uma greve de cinco dias a partir desta segunda-feira. 

O ministro Ives Gandra Martins determinou ainda o bloqueio cautelar das contas das entidades sindicais no limite de R$ 2 milhões a cada dia de prosseguimento do movimento paredista.

Trabalhadores da petroleira estatal iniciaram nesta segunda-feira a mobilização, após o TST determinar no sábado que petroleiros se abstenham de realizar greve, sob pena de multa diária de R$ 2 milhões a sindicatos.

Segundo a FUP, o movimento não tem o objetivo de afetar a produção. Uma greve havia sido anunciada na última sexta-feira pela FUP, que alega que a Petrobrás está descumprindo termos de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) recém-assinado.

Ao deferir o pedido de liminar da Petrobrás, o ministro do TST Ives Gandra Martins havia observado que a Lei de Greve considera abusiva a paralisação deflagrada após a celebração de acordo coletivo de trabalho, a não ser em caso de descumprimento.

Os indicativos recebidos pelo Planalto são de que o movimento dos petroleiros é contido e limitado. Apesar de a categoria ser considerada fundamental para garantir o abastecimento do País, os dados que chegaram ao governo são de que eles estão “sem gás” para prorrogar a paralisação, prevista para ser encerrada na sexta-feira, e que só atinge parte dos trabalhadores. 

Além disso, os estoques de combustível estão em níveis normais, o que daria um fôlego de pelo menos 15 dias, sem qualquer abastecimento, para que houvesse problemas.

O fator Lula Livre, que poderia ser um ingrediente político forte para subir a temperatura do movimento e ampliar as preocupações do governo, na avaliação de interlocutores do presidente Jair Bolsonaro, não encontrou eco na sociedade. Por isso, consideram até que foi “mais do que acertada” a tática adotada pelo Planalto de deixar o ex-presidente falando sozinho. 

O fato de apenas a FUP, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), estar à frente do movimento, e mesmo assim, sem grande adesão do pessoal, amenizou um pouco as preocupações do Planalto. Mas, todos os movimentos das categorias - petroleiros e caminhoneiros - estão sendo monitorados. De acordo com um dos interlocutores do presidente, a paralisação dos petroleiros que querem aumento salarial e manutenção de benefícios, em momento de crise econômica, quando o desemprego ainda é muito alto, serve para que eles não consigam adesão ou simpatia da população à mobilização, o que ajuda a não dar força à paralisação.

Embora existam reuniões marcadas entre caminhoneiros e integrantes do Ministério da Infraestrutura, uma discussão mais concreta sobre a situação deles só ocorrerá em 2020. Neste caso, o governo está estudando como ajudar a categoria, que reconhece estar enfrentando sérios problemas por conta da baixa movimentação de carga, reflexo do tímido crescimento econômico.

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