Planalto evita placar para reforma trabalhista, mas sabe que precisa de 'votação expressiva'

Por reconhecerem que se o resultado for muito distante do esperado, a sinalização para o mercado pode ser negativa, interlocutores evitam o assunto;

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 16h52

BRASÍLIA - Enquanto o Congresso analisa neste momento o texto da reforma trabalhista, o presidente Michel Temer acompanha o desenrolar do tema com atenção. Interlocutores do Planalto reconhecem que, apesar do otimismo pela aprovação, o resultado de hoje servirá como uma importante sinalização para a votação da reforma da Previdência.

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Temer, que não tem agenda no momento, está reunido com o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy e, segundo fontes, "em contato permanente" com o Congresso. Segundo um auxiliar, o presidente e os ministros palacianos estão conversando com os líderes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para evitar surpresas e mobilizar os congressistas para a conquista de uma "votação expressiva", que se aproxime dos 308 votos necessários para a reforma da Previdência.

Diante da situação delicada, auxiliares do presidente estão evitando falar em placar, justamente por reconhecerem que se o resultado for muito distante do esperado, a sinalização para o mercado pode ser negativa.

De acordo com um interlocutor, o momento é de "otimismo" e "preocupação". "O governo nunca negou que está preocupado e atento, mas hoje temos os votos para aprovar, não sei em que margem, melhor não arriscar", afirmou uma fonte.

A decisão de exonerar apenas três ministros hoje - Bruno Araújo (Cidades), Mendonça Filho (Educação) e Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) - para que eles reforcem os votos favoráveis ao projeto da reforma trabalhista é uma espécie de "precaução". No caso da reforma da previdência, Temer já decidiu exonerar os 13 ministros que têm mandato. "Aí não podemos arriscar mesmo e são 13 votos garantidos que serão fundamentais", disse outro auxiliar.

Depois de contribuir com o governo nessa matéria, os três ministros, que são deputados pelo Estado de Pernambuco, devem reassumir os respectivos ministérios. Bruno Araújo é do PSDB, Mendonça Filho do DEM, e Coelho Filho do PSB.

Para passar no plenário da Câmara, o projeto da reforma trabalhista precisa dos votos da maioria simples. Já a reforma da previdência precisa de 308 votos. "Sabemos que são coisas diferentes, mas não dá pra negar que será sim uma sinalização importante", reconheceu um interlocutor.

Outra fonte afirmou ainda que uma vitória expressiva hoje - de um placar que se aproxime dos 300 votos - será sim uma sinalização importante "até mesmo para dar força ao discurso do governo" sobre a consciência da necessidade das reformas para a recuperação econômica.

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