André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Planalto monitora preparação para greve do dia 28 e pode cortar ponto de quem parar

Governo teme que manifestações contaminem tramitação de reformas no Congresso

Tânia Monteiro e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2017 | 21h09

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto está preocupado e monitora as mobilizações das diferentes categorias para a greve geral convocada por várias centrais sindicais para a próxima sexta-feira, 28. O governo estuda, inclusive, cortar o ponto dos grevistas. Ainda não há uma ideia do número de pessoas que irá às ruas nesta sexta-feira, 28, nem do tamanho das manifestações que poderão ser realizadas no Primeiro de Maio, na segunda, 1º.

Mas o governo teme que, a depender do tamanho dos protestos, haja um adiamento no calendário de discussão das reformas no Congresso. O Planalto quer evitar que a mobilização nas ruas incentive pessoas a virem para Brasília protestar contra as reformas trabalhista e da Previdência. Nesta terça, a comissão especial da Câmara aprovou por 27 votos a 10 o texto-base da mudança na CLT.

O Planalto estuda punir os grevistas do serviço público que faltarem ao trabalho na sexta. O Ministério do Planejamento está preparando uma determinação para que todos os ministérios cortem o ponto dos funcionários que faltarem ao trabalho no dia da greve geral.

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta terça-feira que vai cortar o ponto de funcionários do município que aderirem ao movimento. No Planalto, a avaliação é que cortar o ponto de quem não trabalha é cumprir uma regra. O governo federal deve alegar que, nos 13 anos de administração petista, as regras não eram respeitadas e não havia nenhum prejuízo aos grevistas que "prejudicavam barbaramente" a população.

Paralelamente, o Planalto ainda está tentando conversar com centrais sindicais para que elas não convoquem seus associados a aderir à paralisação. A ideia é tentar convencê-los de que a greve só servirá para reforçar o discurso do PT.

Nesta terça-feira, as primeiras discussões para analisar a greve foram feitas no Planalto, com a presença da Casa Civil, do Gabinete de Segurança Institucional, da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, da Agência Brasileira de Inteligência, entre outros órgãos.

Placar da Previdência do Estadão mostra intenção de voto de parlamentares

Para esta quarta-feira, uma nova reunião foi convocada com secretários-executivos e representantes de todos os ministérios. O encontro deve avaliar o tamanho da mobilização e os focos de paralisação dentro do poder público.

Um grupo de monitoramento será criado e relatórios serão preparados para serem apresentados ao presidente Michel Temer. A Secretaria de Segurança Pública do DF também montou um centro de acompanhamento. Já há decisão de governo para que a Esplanada dos Ministérios seja fechada na sexta-feira para evitar qualquer tipo de depredação aos prédios públicos.

As redes sociais estão sendo monitoradas, mas as adesões anunciadas podem não refletir a realidade nos dias de protesto. Somente as horas que antecedem os movimentos poderão dar uma dimensão da mobilização nas ruas.

O Planalto quer esperar as mobilizações para decidir se mantém a votação da reforma da Previdência na segunda semana de maio.  

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