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As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Planejamento é vital para manter as finanças da casa equilibradas

Qual a melhor aplicação financeira atualmente? O senhor recomenda investimento em ações?

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

Não há reposta única, porque todos os tipos de investimentos são bons em si. Afinal, significa que você tem dinheiro sobrando, ou seja, tem alguma poupança. A melhor aplicação depende, sempre, de duas variáveis: prazo disponível e importância daquele dinheiro para você. Exemplo: você tem o compromisso de realizar um grande pagamento relativo à casa que comprou recentemente daqui a seis meses. Assim, o prazo disponível é curto e o dinheiro guardado é muito importante. Ou seja: você não pode correr riscos de perder o capital. A sua opção deverá ser por uma aplicação financeira de baixo risco. O caso contrário também é verdadeiro. Quanto maior o prazo de disponibilidade do dinheiro e menor a importância do valor, mais risco poderá ser corrido. Por outro lado, a questão de aplicar em ações deve ser vista com um pouco mais de cuidado. De maneira geral, os analistas estão dizendo atualmente que as ações no Brasil estão "baratas". Afinal, o desempenho da Bolsa em 2010 foi positivo perto de 1% e este ano registra uma queda acumulada perto de 10%. Concordo com o pensamento de que há boas oportunidades na Bolsa. Mas isso não quer dizer que o investidor deva sair comprando. Sempre devemos analisar como uma nova aplicação encaixa-se em nossos investimentos. Tudo depende da composição de nossa carteira de investimentos. Não dá para falar que uma aplicação dará um bom retorno sem falarmos do risco que essa aplicação representa. Caso contrário, vira palpite de cocheira. Aí é aposta e não investimento.

É recomendável utilizar o dinheiro da poupança para quitar um gasto planejado?

Quero pagar o valor total do material didático da escola de inglês, no valor de quase R$ 1,9 mil, com a poupança, cujo saldo, hoje, gira em torno de R$ 19 mil.

Em termos gerais, poupar tem três motivações: a) consumir com prazer; b) estar preparado para emergências; e c) permitir que tenhamos uma vida financeira confortável quando no período de aposentadoria. O caso de nossa leitora atende justamente a uma dessas condições, ou seja, ela poderá comprar o material sem a dor de cabeça de não saber como pagar. Graças à sua poupança, ela poderá fazer o seu curso de inglês, pagando à vista o material, com o gasto previsto de R$ 1,9 mil. Sem dúvida, ela terá mais tranquilidade para realizar o curso, pois não terá a preocupação dos pagamentos. Na verdade, ela está investindo esse dinheiro em seu futuro. Não podemos esquecer que educação é um investimento muito importante em nossa vida. Além disso, mantendo o seu planejamento financeiro, logo mais ela terá mais dinheiro poupado.

Tenho uma dívida maior do que o meu salário. Como devo proceder para poder poupar e ainda não utilizar cheque especial?

A melhor conduta financeira que as pessoas devem ter é planejar, ter dedicação e conhecer sobre investimentos. Assim, o primeiro passo para nosso leitor é planejar a vida financeira. Comece preparando seu orçamento familiar. O ideal é que ele lançasse mão de uma planilha eletrônica preparada para isso, mas pode até mesmo usar um caderno de anotações. Desde que anote todas as receitas ou despesas. Isso deve ser feito de maneira organizada e sem esquecer detalhe algum. Nós devemos organizar o orçamento por grupos de despesas. Por exemplo: alimentação, gastos básicos da casa, educação, transporte etc. Com base nesse orçamento, busque reconhecer oportunidades de economia. Em outros termos, descubra o que pode ser cortado. Ao mesmo tempo, o nosso leitor deve procurar quitar o cheque especial, que é muito caro. Para isso, deve tentar obter alguma outra linha de crédito, como empréstimo consignado ou crédito pessoal, que são mais baratas (o cheque especial chega a custar 10% ao mês, enquanto o empréstimo consignado varia ao redor de 2% ao mês). Quando ele estiver mais organizado, não entrará mais no cheque especial e, sem dúvida, sua vida ficará melhor. Lembre-se que o Brasil, graças às taxas de juros muito altas, é um paraíso para quem tem dinheiro sobrando, mas é um inferno para quem tem dívidas.

Fábio Gallo é Professor de Finanças da Fgv e da Puc-Sp

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