Planejamento falho e atrasos na geração

Atrasos na construção de obras de infraestrutura já se tornaram rotineiros. É o caso da Hidrelétrica de Colíder, da Copel, em construção no Rio Teles Pires, em Mato Grosso, com potência de 300 MW. Vence quinta-feira o prazo para concluir a obra, mas a Copel pediu à agência reguladora (Aneel) prorrogação de 644 dias, prometendo entregar a usina em 2017.

O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2015 | 02h03

A energia da Colíder deveria ser comercializada a R$ 137,53 o MWh. Sem o fornecimento, as distribuidoras terão de comprá-la no mercado livre, a R$ 388,48 o MWh. Para compensar a diferença, a Aneel recomendou multar a Copel em R$ 720 milhões, segundo reportagem do Estado. O valor equivale a cerca de 60% do lucro da empresa em 2014.

A Copel, uma estatal paranaense, alega que os atrasos se deveram a entraves burocráticos para obter licenciamento ambiental, invasões, atos de vandalismo e greves de operários. Mas os técnicos da Aneel entendem que só se justifica um atraso de 214 dias. O resto é injustificável.

A Copel tem um ambicioso plano de expansão. Além do Paraná, já atua em sete Estados nas áreas de geração e transmissão. Não será surpresa se a estatal pedir um aditivo para concluir as obras da Colíder, orçadas originalmente em R$ 1,57 bilhão. As alternativas - perder o investimento ou contratar outra empresa para terminar a construção - retardariam ainda mais o processo.

Com a retração da economia - e do consumo de energia -, a Copel poderia honrar os compromissos com as distribuidoras suprindo-as com a energia produzida por outras usinas ou recorrendo ao mercado livre, incorrendo em perdas.

A decisão de multar teria caráter exemplar, mas há dúvidas sobre a força ou a disposição da Aneel para isso, dado o histórico de tolerância do regulador. A Copel se junta ao rol de empresas ou consórcios que pedem perdão pelo atraso na conclusão de projetos vitais para o reforço da oferta, a exemplo do ocorrido com as Hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.

A Copel é lucrativa, mas para pagar a multa teria de sacar recursos do caixa. Seus acionistas (o Estado do Paraná, com 58,6% do capital votante, a BANESPar, com 26,4%, e a Eletrobrás, com 1,1%) dificilmente poderiam aportar o capital necessário. As dificuldades financeiras são gerais. A questão se complica, pois a Copel tem ações listadas em bolsa, no País e no exterior. É mais uma evidência dos problemas de falta de planejamento e de má gestão do setor elétrico nos últimos anos.

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