Plano agrícola irá baixar a inflação dos alimentos, diz Coutinho

Presidente do BNDES afirma que medida, a ser lançada em julho, pretende ajudar a arrefecer a inflação mundial

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

23 de junho de 2008 | 11h06

O plano agrícola que está em elaboração pelo governo federal é destinado a abrandar a inflação dos preços de alimentos no País, e tem objetivo de ajudar a arrefecer a inflação mundial, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, nesta segunda-feira, 23, em Nova York. O plano deve ser apresentado no inicio de julho, segundo ele.   Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  Preço do petróleo em alta   O presidente do BNDES disse que não arriscaria falar sobre o valor do plano agrícola. "É um numero sensível politicamente. Eu não vou ousar dizer um numero", completou nos bastidores de evento realizado pela Camara de Comercio Brasil-EUA.   Na carteira do BNDES, o setor agrícola representa R$ 18 bilhões, de acordo com Coutinho. Segundo ele, o papel do banco no plano será fomentar, principalmente, a agricultura familiar, com relação aos termos e condições para financiamento de maquinários. "Uma maior oferta da produção agrícola vai ajudar a atenuar a pressão da inflação", disse.   O BNDES espera aumentar em 20% o financiamento para o setor agrícola em relação ao que foi em 2007, mas Coutinho disse não saber dizer em quanto este numero havia ficado.   Na avaliação do presidente do BNDES, o País pode ter crescimento em taxa de 5% nos próximos anos. O segredo para o Brasil continuar crescendo é manter a inflação sob controle e manter a confiança do setor privado, que tem investido vigorosamente no País", disse.   Coutinho enumerou que a economia brasileira tem potencial para significativa expansão no mercado de capitais, as famílias tem pouca alavancagem e os bancos estão saudáveis.     infra-estrutura e energia     O desafio central para o Brasil é manter o crescimento do investimento, disse Coutinho. Ele estimou que o investimento deve atingir 19% do PIB no fim do ano. "Esse é o desafio central, pois se a economia global se moderar, o Brasil tem de continuar fazendo esforço (para aumentar investimento)", disse.   Um dos objetivos da política industrial, acrescentou, é ajudar o investimento privado a continuar se expandindo. Para os próximos anos, o presidente do BNDES estimou que o investimento pode crescer à taxa de, pelo menos, 12%. A desaceleração dessa taxa em relação ao projetado para 2008 deve-se ao ambiente global.   Coutinho destacou a importância dos investimentos em infra-estrutura, acrescentando que o Brasil "investiu pouco" em 25 anos. "Temos demanda represada para investimentos em infra-estrutura", disse, acrescentando que, no País, os projetos de infra-estrutura têm "retorno elevado e baixo risco".   Ele espera que o investimento em energia tenha crescimento de cerca de 19% nos próximos anos e acredita que o investimento em telecomunicação vai se estabilizar, mas em um nível "elevado".   O presidente do BNDES destaca que 86% da matriz energética do País é renovável, em comparação com 14% do globo. A cana-de-açúcar responde por 14,5% da matriz de energia brasileira, completou. "Temos condições de oferecer para a economia global energia renovável", disse.     Expansão do crédito     O crédito, acrescentou durante evento promovido pela Camara de Comercio Br-EUA, tem um tremendo potencial para crescimento. No entanto, avaliou que deve ter "moderação leve", pois "o BC tomou passos para moderar crescimento". Segundo Coutinho, não é interesse do Brasil esfriar muito a economia. (O interesse) é 'moderar' o crescimento, observou.   O presidente do BNDES estimou que, março deste ano, o credito cresceu 27% em 12 meses. Ele estimou a faixa de crescimento entre 27% a 30% como "muito elevada" e espera que o credito continue crescendo a uma taxa em torno de 15%.

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