Plano americano ameaça corretoras

Cláusula obriga pôr interesses dos clientes na frente de seus próprios

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

O plano de reforma da regulamentação financeira dos Estados Unidos proposto pelo governo do presidente Barack Obama inclui uma cláusula que pode significar uma maior fiscalização das companhias de empréstimo ao setor industrial, podendo levar algumas delas ao fechamento, destacou o Wall Street Journal ontem.O jornal publicou ainda que a reforma pode derrubar também corretoras de Wall Street por obrigá-las a colocar os interesses dos clientes na frente de seus próprios.Para as as empresas que concedem empréstimo à indústria (ILCs, na sigla em inglês), operadas por companhias não financeiras, o plano anunciado na quarta-feira traz um tópico que demanda que as ILCs sejam registradas como bancos junto ao Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Pelo novo plano, além de estabelecer a política monetária americana, o Fed terá poderes de supervisão do sistema financeiro e de intervenção, em caso seja identificado risco sistêmico.O registro sujeitaria as companhias que operam as ILCs a uma maior fiscalização do governo e as colocaria na mesma categoria que a maioria dos grandes bancos americanos. Com isso, caso estejam à beira do colapso, o governo americano teria permissão para assumí-las por meio da Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês), que terá alcance ampliado.Muitas empresas controladoras de ILCs provavelmente fechariam se a mudança ocorrer, informou o jornal, citando especialistas do setor. Existem 45 ILCs, muitas sediadas nos Estados de Utah ou Califórnia, com um total de ativos de US$ 232,3 bilhões, segundo a publicação.No caso das corretoras, a proposta anunciada inclui uma outra cláusula que "estabelece uma obrigação fiduciária para operadores de corretoras oferecendo consultoria de investimento", para ajudar a capacitar o órgão regulador do setor financeiro norte-americano (SEC, na sigla em inglês) a aumentar a confiança para os investidores.As corretoras devem, agora, apenas direcionar os clientes em investimentos adequados, não necessariamente aqueles de menor custo ou menos impostos.O jornal informou que um novo padrão fiduciário demandaria que as corretoras revelassem potenciais conflitos de interesse e também as exporia a mais ações judiciais.

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